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Fev 14

Em Ecologia profunda: o novo paradigma pode ler-se um artigo relativo à ecologia profunda.

Da autoria de Paulo Rodrigues, o referido artigo articula questões como a ciência e a técnica, o consumo que caracteriza a nossa sociedade e os problemas ambientais.

O conceito de "ecologia profunda" (deep ecology) foi proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Naess em 1973.

Trata-se de um conceito filosófico que vê a  humanidade como mais um fio na teia da vida.

Cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera.

Porém, há que estar atento aos perigos de um emergente anti-humanismo associado ao conceito de ecologia profunda, como alerta Luc Ferry.

 

Eis o artigo:

 

“EM PLENO SÉCULO XXI, O HOMEM confronta-se com sérios problemas ambientais, à escala global, decorrentes da sua própria atividade económica, dos seus comportamentos e estilos de vida, da própria evolução e direção dadas à ciência e tecnologia, sempre em busca da satisfação das suas necessidades materiais, cada vez maiores, e mais exigentes.

Essas necessidades humanas, básicas de outrora, rapidamente deram lugar às necessidades criadas, induzidas e manipuladas que conduzem a comportamentos e estilos de vida baseados no consumo, no ter, na posse, na riqueza e no poder (bem vindo ao capitalismo!…a solução para todos os seus problemas).

Existimos, logo consumimos, e mais do que um direito é um dever! Consumo de bens, que levam ao consumo de recursos naturais, à sua transformação, por meios mais ou menos puros e naturais, ou abruptos e selvagens, e eis que num ápice, como quem abre e fecha os olhos, a incerteza no futuro bate-nos à porta, e nós, humanidade, assustada, como alguém que sabe que “ pecou” (conscientemente, por via da ganância e ausência de valores éticos), e que sabe que terá, agora, que suportar e lidar com as consequências graves e nefastas desses “pecados”.

Mas… do que estamos à espera para mudar o rumo dos acontecimentos? Porquê tanta inércia? O que nos levou até aqui…erosão e esgotamento dos solos, diminuição da água potável disponível, efeito de estufa, alterações climáticas, fome, secas, inundações, doenças. Ainda iremos a tempo de alterar a situação? Que devemos fazer enquanto sociedade, civilização, humanidade? Como mudar comportamentos? Como passar de um estado antropocêntrico para um estado ecocêntrico, de integração, respeito e equilíbrio com a natureza, da qual dependemos totalmente? Para quando um contrato natural? Não deveríamos repensar a nossa forma de consumir, de ter, de possuir…? Não deveríamos repensar os nossos padrões de qualidade de vida? Para onde nos leva o capitalismo (verde)? Não deveríamos mudar já a nossa posição, perspetiva e modos de interagir com a natureza?

A Ecologia Profunda faz questões profundas a respeito dos próprios fundamentos da nossa visão do mundo e do nosso modo de vida moderno, científico, industrial, orientado para o crescimento do consumo e satisfação material. Ela questiona todo esse paradigma com base numa perspetiva ecológica. Esta corrente filosófica tem uma visão holística, ou seja, a totalidade é moralmente superior aos indivíduos e os indivíduos não são senão uma parte integrante da ecosfera.

A desconstrução do paradigma dominante, do sistema político, económico e social com um diferente foco de valorização, poderá comprometer outras faces da estrutura da sociedade Ocidental. É necessária uma nova conduta moral e ética, um estilo de vida mais simples. O velho paradigma, baseado no egoísmo, no individualismo, no ter e no poder levou à conjuntura presente de crise económica e ambiental.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:33

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