Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

14
Fev 16

         

 “A imagem do beijo, enquanto fusão das duas imagens numa só.” - Roland Barthes

 

      Em O Banquete, Platão expõe o mito do Andrógino, de Aristófanes. Segundo este mito, cada homem era originalmente uma esfera. Havia-as de três tipos: macho, fêmea e andrógino, contendo este último os outros dois tipos. Tinha quatro mãos, quatro pernas, dois rostos numa única cabeça e dois órgãos genitais. Assim equipados, possuíam uma força imensa que os impeliu um dia a escalarem até ao céu para darem combate aos deuses. Os deuses ficaram embaraçados. Então, Zeus cortou-os em dois.

   Mutilados de metade de si mesmos, os homens tentaram, então, desesperadamente recuperá-la, abraçando-se, enlaçando-se um no outro.

     O que este mito nos ensina é que o Homem é um ser incompleto que tem de se lançar em busca da sua “metade da laranja” de modo a recuperar a integridade. Nesta perspetiva, o prazer sexual iria não apenas incitá-los à reprodução, mas deveria sobretudo dar-lhes um modo de aliviarem a dor da perda. O orgasmo surgiu como momento de efémero esquecimento de si próprio na memória permanente da incompletude que nos aflige. Um momento de suspensão extática e vital.

    Assim, na ausência amorosa somos, tristemente, uma “imagem deslocada”, que seca, amarelece, se encarquilha. Uma metade da esfera que não se torna redonda.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:02

CorretorMais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Fevereiro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20

21
22
24
25
26
27

28
29


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Filosofia
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO