Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

01
Mai 16

Uma Montanha do Tamanho do Homem

 

Era uma vez uma aldeia, como tantas outras por este país fora.

Aos poucos, os seus habitantes foram partindo. Uns para o exterior, em busca de uma vida melhor; outros, "partiram" vá-se lá saber para onde. Uns e outros, não mais voltaram.

Mas a aldeia persistiu, teimosa, fantasma e bela, tragicamente bela.

"Uma Montanha do Tamanho do Homem" é um documentário que nos dá a conhecer Drave, uma aldeia desabitada em Portugal. O acesso só é possível a pé, não há traços de modernidade, e praticamente não há comunicações. Ainda assim, todos os anos, milhares de pessoas escolhem passar por este lugar ... 

Esta é uma viagem ao interior mais profundo. Do país, da memória, da consciência, da humanidade e de cada um."

Para quem quer conhecer as profundezas da alma lusa e um pouco da nossa identidade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:11

03
Abr 16

A maior satisfação não está em deixar morrer, mas sim em deixar viver.

Para os amantes de cinema, em especial de cinema não comercial, O Urso conta a história de Youk, um precoce ursinho que, ao ficar órfão, tem de aprender a sobreviver num mundo hostil. Kaar, um grande urso solitário, contra todas as expectativas ajuda Youk a suportar as agruras da floresta e a fazer face aos perigos que os rodeiam incluindo os seus piores e mais mortíferos inimigos: dois caçadores, Tom e Bill. Poucos filmes conseguiram captar tão bem a verdadeira essência da vida selvagem como o urso de Jean-Jacques Annaud que nos apresenta o ponto de vista dos animais.

A juntar ao palmarés do mesmo realizador, constam, entre outros, A Guerra do Fogo e O Nome da Rosa.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:08

31
Mar 16

               

                Como se relaciona o desporto em geral e a corrida, em particular, com a Filosofia?

                Há muitos pontos de convergência, segundo Mark Rowlands. O ser humano corre por diversos motivos: uns fazem-no porque gostam; outros porque se sentem bem ou porque ficam com melhor aparência; ou porque lhes dá saúde e os faz sentir felizes ou mesmo vivos. Uns correm pela companhia, outros para aliviar o stresse do dia-a-dia.  

                Eis um dos paradoxos da vida: a inércia é a meta de tudo o que existe e se mexe. Porém, o ponto de partida é o movimento, a ação, a corrida. Quer do ponto de vista ontogenético, quer filogenético, no início é a ação. Embora a questão não deva ser colocada em termos exclusivamente dicotómicos: vida e morte. Isto porque “a morte é impaciente e insiste em fazer pequenas aparições antes que o pano desça definitivamente”. Morremos todos os dias um pouco.

                Alguns consideram até que nascemos para correr. Foi assim na alvorada da humanidade. Corríamos para caçar e poder comer animais, e não apenas plantas. E o aumento das proteínas na nossa alimentação pode ter tido uma influência no desenvolvimento do nosso cérebro. Não terá sido condição suficiente. Porém, foi seguramente uma condição necessária.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 15:23

21
Mar 16

          

  O determinismo, “na sua versão radical, é uma teoria que afirma que todos os estados ou acontecimentos do mundo são determinados por estados ou acontecimentos que lhes são anteriores, de acordo com as LEIS DA NATUREZA. Nesta versão, defende-se que, para qualquer acontecimento b, existe um acontecimento a anterior tal que é impossível que ocorra a sem que, consequentemente, ocorra b. Se esta versão mais radical for verdadeira, levanta-se o problema de saber se é compatível com o LIVRE-ARBÍTRIO, isto é, se a ACÇÃO humana pode ser concebida como genuinamente livre — os compatibilistas defendem que sim; os incompatibilistas, que não” (in: http://www.defnarede.com/d.html).

            Mark Nelissen, em “Darwin no Supermercado, Como a Evolução Influencia o Nosso dia-a-dia”, adota uma posição próxima do determinismo radical, ao sustentar, contra a opinião generalizada, que muitas das nossas decisões e ações não se baseiam no livre-arbítrio. Apoiando-se numa conceção naturalista do ser humano, Nelissen sustenta que a biologia evolutiva e a teoria evolucionista de Darwin explicam os diversos comportamentos humanos, desde dar uma gorjeta, escolher um lugar na carruagem do comboio ou sorrir antes do ato sexual.

            Quando, por exemplo, um homem numa esplanada dá uma gorjeta a uma espampanante loura de dezoito primaveras para pagar a cerveja acabada de beber, o seu comportamento obedece às leis de Darwin, segundo Nelissen. A generosidade do homem aumenta a probabilidade de conseguir transmitir os seus genes à geração futura. Agora, como há cem mil anos, altura em que as mulheres se guiavam pela reputação dos homens. Os do tipo generoso tinham fama de possuir recursos suficientes. Aqueles que costumavam repartir uma parte dos seus despojos de caça eram bons caçadores e possuíam meios suficientes. Os que distribuíam alimentos ou outros objetos demonstravam ter o suficiente. Os potenciais papás que entravam nesta categoria gozavam da predileção das mamãs sonhadoras, e podiam chegar a pais de verdade.

            Por isso, quando o gordalhufo da esplanada dá uma generosa gorjeta à espampanante jovem da minissaia, é movido por um mecanismo genético e inconsciente que durante tanto tempo contribuiu para o êxito reprodutivo dos nossos tetravôs.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:44

23
Fev 16

       

         Não é fácil traçar a fronteira entre o humor, o bom humor, e a chacota e definir Liberdade de Expressão. Todos o sabemos. Todos, ou quase todos, estamos de acordo em que o humor é um sinal de inteligência e de maturidade intelectual. Já a chacota é a arma dos pobres de espírito, dos vingativos, invejosos, intriguistas e coscuvilheiros. A chacota é a arma dos que se riem dos outros, mas que não sabem olhar-se ao espelho e rir-se de si próprios.

         Todos sabemos, ou quase todos, que os fundamentalistas são desprovidos de sentido de humor, porque, como referia Umberto Eco, o humor é um instrumento crítico. Por isso, o fundamentalista mata. Mata o comediante que satiriza com a sua religião ou com outro assunto que considera um dogma. Hoje, o fundamentalista mata, porque é desprovido de sentido de humor. Hoje, como na Idade Média. Em "O Nome da Rosa", por exemplo, destrói-se um livro que fala sobre o riso e mata-se por ele, porque “só os tolos riem” e porque, "quem ri não tem medo de Deus", e "quem não tem medo de Deus, é aliado das forças demoníacas".

         Mas, que Deus é este, que não sabe rir? Que Deus tristonho e sisudo é este, meu Deus?!

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

14
Fev 16

         

 “A imagem do beijo, enquanto fusão das duas imagens numa só.” - Roland Barthes

 

      Em O Banquete, Platão expõe o mito do Andrógino, de Aristófanes. Segundo este mito, cada homem era originalmente uma esfera. Havia-as de três tipos: macho, fêmea e andrógino, contendo este último os outros dois tipos. Tinha quatro mãos, quatro pernas, dois rostos numa única cabeça e dois órgãos genitais. Assim equipados, possuíam uma força imensa que os impeliu um dia a escalarem até ao céu para darem combate aos deuses. Os deuses ficaram embaraçados. Então, Zeus cortou-os em dois.

   Mutilados de metade de si mesmos, os homens tentaram, então, desesperadamente recuperá-la, abraçando-se, enlaçando-se um no outro.

     O que este mito nos ensina é que o Homem é um ser incompleto que tem de se lançar em busca da sua “metade da laranja” de modo a recuperar a integridade. Nesta perspetiva, o prazer sexual iria não apenas incitá-los à reprodução, mas deveria sobretudo dar-lhes um modo de aliviarem a dor da perda. O orgasmo surgiu como momento de efémero esquecimento de si próprio na memória permanente da incompletude que nos aflige. Um momento de suspensão extática e vital.

    Assim, na ausência amorosa somos, tristemente, uma “imagem deslocada”, que seca, amarelece, se encarquilha. Uma metade da esfera que não se torna redonda.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:02

08
Fev 16

           Não temos hipótese de não ter uma visão do mundo, mas temos a escolha de investir cuidadosamente na nossa visão do mundo, segundo Carlos Strenger (O Medo da Insignificância, Lua de Papel). Não estamos condenados a viver dentro dos limites de visões de mundo que não escolhemos, mas que foram inculcadas nas nossas mentes através da educação quando eramos mais novos.

            Na tradição europeia, esta ideia foi traduzida pela Alegoria da Caverna de Platão. A Alegoria da Caverna constitui uma das imagens mais famosas na história da filosofia ocidental. Ela põe em evidência que os seres humanos têm propensão para viver no erro, porque a circunstância do nascimento pode não nos ter proporcionado o acesso ao tipo de educação que nos leva ao melhor pensamento produzido pela humanidade. Todas as tradições filosóficas nos exortam a não nos conformarmos com as limitações que nos são impostas pelo acaso do nascimento e a passar pelo doloroso esforço de adquirir o conhecimento necessário a viver numa visão de mundo tão próxima da verdade quanto possível.  

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:49

18
Dez 15

dinheiro.jpg

 

O Senhor Milhões tem Milhões em ações e em offshores.

O Senhor Milhões considera-se o maior!

O Senhor Milhões observa tudo pelo prisma do ter.

O Senhor Milhões, com os seus Milhões, tudo pensa poder comprar.

A justiça e a política vergam-se ao poder dos Milhões do Senhor Milhões.

 

O Senhor Milhões persegue quem não se verga ao poder dos seus Milhões.

 

Persegue e espezinha.

Chantageia e chicoteia.

 

Como pode haver alguém que não pense como o Senhor Milhões?

 

Um antissocial?

Ou psicopata?

 

Pior ainda:

 

Um perigoso alucinado por um qualquer estupefaciente?

Um elemento subversivo, mau educador e terrorista?

Ou irascível?

Ou pedófilo?

Ou vadio?

  

Interroga-se o Senhor Milhões!

  

O Senhor Milhões pensa de acordo com a lógica dos Milhões.

O Senhor Milhões pensa que os seus Milhões tudo podem comprar:

 

Dignidade.

Conhecimento.

Saúde.

Vida.

Amor.

Sono.

Tempo.

Paraíso.

 

Mas, o Senhor Milhões ignora que há muita coisa que os seus Milhões não podem comprar.

O Senhor Milhões ignora que os seus Milhões não podem comprar muita coisa importante e de valor.

 

Podem comprar um cargo, mas não a dignidade.

Podem comprar um livro, mas não o conhecimento.

Podem comprar um médico, mas não a saúde.

Podem comprar sangue, mas não a vida.

Podem comprar sexo, mas não o amor.

Podem comprar uma cama sumptuosa, mas não o sono.

Podem comprar um relógio em ouro, mas não o tempo.

Podem comprar o clero, mas não o paraíso.

 

O Senhor Milhões, com os seus Milhões, é um homem feliz.

 

Mas vive na ignorância!

O Senhor Milhões é um feliz ignorante.

 

Viva a pobreza de espírito!

 

O Senhor Milhões é um alucinado pelos Milhões que ostenta.

Que o cegam!

 

O Senhor Milhões é promíscuo.

 

Porque não sabe distinguir uma pessoa de uma coisa ou de uma mercadoria.

Porque não sabe que as pessoas não se compram nem se vendem!

 

O Senhor Milhões compra a justiça, mas não a liberdade. 

Nem a dignidade!

 

O Senhor Milhões vive aprisionado.

O Senhor Milhões não sabe que a prisão não são as grades.

O Senhor Milhões não sabe que a liberdade não é a rua.

 

Existem homens presos na rua e livres na prisão. 

 

Porque a liberdade é uma questão de consciência.

 

Será o Senhor Milhões feliz e livre?

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 11:50

08
Dez 15

          

             Robert Nozick

             Segundo Nozick, "os impostos são equivalentes a trabalhos forçados”

             O Estado, através da instituição fiscal, é equivalente a uma prisão: o ideal de redistribuição das riquezas é uma injustiça e, ao mesmo tempo, um atentado à liberdade individual. É contrária ao direito e à moral. O imposto é um roubo.

             Nozick apoia-se em dois argumentos chave: o direito à propriedade definida por Locke e o respeito pela pessoa humana definido por Kant. Todo o homem é proprietário dos bens provenientes do seu trabalho porque é proprietário da sua pessoa.

                Lutar contra as desigualdades por intermédio dos impostos é uma negação da liberdade e da propriedade e consiste em tratar cada um como um simples instrumento e não como uma pessoa autónoma.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:22

03
Nov 15

AF_MP_Como o Ciclo da Lua_cartaz.jpg

Como o Ciclo da Lua

Vai ter lugar no próximo dia 16 de dezembro, pelas 18.00, em Lamego, o lançamento do livro "Como o Ciclo da Lua: 28 Contos Filosóficos e Dilemas Éticos".

 

Sem excluir os adultos, o público-alvo da presente obra são as crianças e os jovens, e visa explorar o espírito crítico peculiar a estas idades com o recurso a histórias divertidas, dilemas éticos e respetivos planos ou atividades de discussão.

 

Numa linguagem informal, clara e imaginativa, o autor percorre neste livro uma considerável diversidade de temáticas filosóficas (o altruísmo, o amor, a felicidade, a relação do homem com a natureza, a emoção e a razão, o mito e a explicação racional dos fenómenos, o "estado de natureza", o determinismo, o ser e o dever-ser, o trabalho, a linguagem e o pensamento, a identidade, entre outros) sem, contudo, veicular uma filosofia específica nem instruções ou respostas concretas aos problemas nele levantados, porque, "a vida não é como os medicamentos que trazem uma literatura inclusa".

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 12:35

Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
18
19

20
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Filosofia
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO