Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

06
Jul 13

        

   Há muito que se sabe que o ciberespaço é um dos principais campos de batalha do século XXI. No entanto, as revelações chocantes do início do mês de junho sobre as atividades de vigilância e recolha de dados da NSA [Agência de Segurança Nacional] ilustram até que ponto os serviços de informação dos Estados Unidos procuram "preponderância em toda a gama" no ciberespaço.

            Embora tenham surgido inúmeros artigos, nos últimos dias, sobre os diferentes aspetos da vigilância da NSA à escala mundial, nenhum parece ter analisado o facto de os serviços de informação dos Estados Unidos terem, efetivamente, acesso a todos os dados transmitidos, e não apenas aos dos servidores da Verizon ou da Google.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/espionagem-global-da-internet=f818558#ixzz2YGyCCSqD

 

 

A Atualidade do Pensamento de Foucault

 

            Em Vigiar e Punir (Surveiller et Punir: Naissance de la prison),  Michel Foucault apresenta duas imagens do corpo do condenado:

  1. o corpo do condenado publicamente torturado e mutilado;
  2. o corpo disciplinado do prisioneiro na sua cela, secretamente sob a ameaça de uma constante vigilância.

            Ao examinar a construção da prisão como meio central da punição criminal, Foucault defende a ideia de que a prisão se tornou parte de um mais amplo “sistema carcerário” – que tudo hegemoniza – na sociedade moderna.

            A prisão pertence a uma rede mais vasta, compreendendo escolas, instituições militares, hospitais e fábricas, que materializa uma sociedade pan-óptica para os seus membros. O sistema cria “carreiras disciplinares” para quem aceita permanecer “na linha”. O funcionamento de um tal sistema é propiciado pelas autoridades científica da medicina, psicologia e criminologia.

            Segundo Foucault, não é possível separar o nascimento da prisão, enquanto principal forma de punição legal no século XIX, da história de um vasto número de instituições – exército, escola, fábrica – que enfatizam a disciplina do corpo através de técnicas reais de vigilância. É a emergência de uma sociedade disciplinar.

            O panóptico de Jeremy Bentham constitui a imagem que melhor captura a estrutura da nossa sociedade e do poder. O panóptico permite a vigilância invisível de um vasto número de pessoas por um pequeno número.

            Na perspetiva de Foucault, a disciplina cria “corpos dóceis”, ideais para as exigências modernas em questões de economia, política, guerra – corpos funcionais em fábrica, nos ordenamentos regimentais, nas classes escolásticas. Mas, para construir corpos dóceis, as instituições que promovem a disciplina devem conseguir:

  1. Observar e registar os corpos que controlam;
  2. Garantir a interiorização da individualidade disciplinar nos corpos que são controlados.

            Ou seja: a disciplina deve impor-se sem uma força excessiva, através de uma atenta observação, e graças a tais observações os corpos são forjados na forma correta. Disto deriva a necessidade de uma peculiar forma de instituição que – segundo – Foucault é exemplificado pelo Pan-óptico de Jeremy Bentham.

            O Pan-óptico era a suma encarnação de uma moderna instituição disciplinar. Consentia uma constante observação caracterizada pela “vista desigual”.

            Deste modo, o conhecimento dos indivíduos articula-se com o poder instituído.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 15:21

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Julho 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
13

14
15
16
19
20

22
23
24
25
27

28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Filosofia
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO