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24
Mai 13

 

Jack Vettriano, Singing Butler Portland Gallery

 

 Freud considerava três "ferimentos narcísicos".

O primeiro ocorrera com Copérnico. A nova conceção heliocêntrica destronava a Terra do centro do Universo;

o segundo momento foi desferido por Darwin. De acordo com este naturalista, o Homem deixa de ocupar um lugar central na criação divina, passando a estar sujeito às leis da seleção natural e da evolução das espécies;

por fim, com o próprio Freud, a afirmação de uma nova "região" da mente humana, o inconsciente ou id, faz esmorecer a ideia de uma racionalidade pura. Há a considerar, agora, as sombras da razão.

O Homem vê-se, enfim, destituído de qualquer estatuto especial, emerso num Universo frio e, aparentemente, sem sentido.

De acordo com Bruno Leclerc (op. cit.), "se a teoria darwiniana foi revolucionária  no plano científico, ela veio, por outro lado, abalar as ideias feitas acerca da posição do ser humano entre as espécies vivas. O princípio da seleção natural desferiu um rude golpe nas conceções finalistas, segundo as quais a transformação das espécies visava o aparecimento do Homem. Este, como ser dotado de consciência reflexiva é visto como coroamento da natureza".

Esta conceção naturalista de Darwin contraria a ideia de uma Natureza ou Essência Humana prévia e antecipa, pelas semelhanças, a divisa existencialista segundo o qual a "Existência Precede a Essência".

Com efeito, continua Leclerc, "segundo a perspetiva darwiniana, não existe um sentido previamente estabelecido para a evolução: não podemos senão constatar a posteriori a sua direção, observando os resultados das sucessivas tentativas e erros da seleção natural". 

Vêmo-nos, assim, remetidos para a seguinte ideia trágica: a humanidade, e cada homem, é fruto do acaso. Por muito que isso possa doer ao seu ego.

E, finaliza Leclerc: "se a evolução das espécies recomeçasse do princípio, havia poucas possibilidades de que ela voltasse a conduzir ao aparecimento da espécie humana".

Tão simples quanto isso! 

 

Relacionado com a conceção naturalista do ser humano: NASCER

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:54

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