Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

06
Mai 09

Notai que o sinal do sim é do homem que adormece; pelo contrário, o despertar sacode a cabeça e diz que não. Não a quem? Ao mundo, ao tirano, ao predador? Só aparentemente. Em todos estes casos é a si mesmo que o pensamento diz não. Ele quebra a concorrência repousante. Separa-se de si mesmo. Combate contra si mesmo. Não há no mundo outro combate. É por eu consentir, por não procurar outra coisa, que o mundo me engana com as suas perspectivas, o seu nevoeiro, a sua confusão. Por respeitar, em vez de examinar, é que me torno escravo do tirano. Mesmo uma doutrina verdadeira cai em falso por causa da sonolência. É por acreditar que os homens são escravos. Reflectir é negar o que se crê. Quem acredita não sabe sequer aquilo em que crê. Quem se contenta com o seu pensamento não pensa mais nada. O mesmo se diga em relação às coisas que nos cercam. Que é que vejo ao abrir os olhos? Que é que eu veria se acreditasse em tudo? Uma confusão, uma tapeçaria incompreensível. Porque é interrogando cada coisa que eu vejo. Sentinela que perscruta o horizonte é um homem que diz não. (...)

E os astrónomos afastaram de nós o Sol, a Lua e as estrelas por dizerem não. Notai que na primeira apresentação tudo parece verdadeiro.

Alain, Libres Propos, Paris, Hachette

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:25

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