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25
Fev 09

 

A recente apreensão pela P.S.P. de Braga de livros com um controverso quadro de Gustav Courbet na capa, trouxe à memória a explicação psicanalítica da arte como expressão do inconsciente do artista. O referido quadro, intitulado A Origem do Mundo, representa frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher.

Como interpretar a actividade artística, de acordo com a Psicanálise?

A definição de ”Homem” há muito apresentada pelos gregos, apresenta-o como “Animal Racional”. Estamos perante uma “definição essencial” em que o género próximo de Homem é “Animal” e a diferença específica é “Racional”.
Todavia, tal definição foi posta em causa pela Psicanálise, particularmente por Freud. Com efeito, de acordo com a “arqueologia da mente” o psiquismo humano é multifacetado. Para além do Consciente (o equivalente à dimensão racional) é composto pelo Inconsciente e Pré-consciente, ou, pelo Id, Ego e Superego.
Enquanto que o Id se orienta pelo chamado princípio do Prazer, o Ego determina-se pelo princípio da Realidade e o Superego aponta para a moralidade, para a idealidade.
Sendo o “Ego” um "escravo ao serviço de dois amos" antagónicos, o Id e o Superego, tem a necessidade de desenvolver “mecanismos de defesa”. Um desses mecanismos é a Sublimação.
A sublimação é o mais eficaz dos mecanismos de defesa, na medida em que canaliza os impulsos libidinais para uma postura socialmente útil e aceitável.
Este mecanismo explica, por exemplo, que o pugilista canaliza para o desporto os seus impulsos agressivos, assim como o pintor de nús encontra nessa actividade, socialmente aceitável e útil, uma forma de canalizar os seus impulsos libidinais.
Freud interpreta assim a actividade artística como uma forma de satisfazer impulsos que não se realizam abertamente por se depararem com obstáculos constituídos pelo que é socialmente aceite. A criação artística será, de acordo com esta perspectiva, uma forma de sublimação de frustrações advindas de traumas ligados a pulsões sexuais e a arte surge como uma actividade que permite ao indivíduo extravasar impulsos libidinais recalcados.
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:05

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