Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

11
Fev 09

(O Grito de E. Munch)

Já aqui se fez alusão à frase que em 1945 Sartre terá proferido:

"Nunca fomos tão livres como durante a ocupação alemã".

O que pretendia dizer é que quanto mais uma situação é pressionante, difícil, trágica, mais urgente é a escolha e, como tal, a afirmação é apenas aparentemente paradoxal.

Como é sabido, Sartre enquadra-se no ramo ateísta da "árvore" existencialista. Mas, o que é o existencialismo? 

Chamam-se doutrinas existencialistas ao conjunto das doutrinas que têm em comum a afirmação do primado da existência sobre a essência. Socorrendo-nos de um exemplo, se um indivíduo deseja construir uma casa dirige-se a um arquitecto para que este elabore uma planta ao que sucede a execução do plano. Neste exemplo, a essência (ideia da casa) precede a existência (execução do plano). Ora, para os existencialistas se isto é válido no que concerne à casa ou às criações do homem, não o é para o próprio homem. Em relação ao homem, a "existência precede a essência". Daqui decorre uma consequência lógica: o que nos caracteriza é a liberdade e a finalidade do homem é a realização de um projecto em correspondência com valores por ele livremente criados. Assim, não existe para o existencialismo um sentido anterior à existência nem qualquer sentido que não seja o que o homem lhe dá. Ora, se cabe ao homem o sentido que quer dar à sua vida, surge a angústia. Esta nasce da consciência da responsabilidade total que decorre da liberdade do homem. Se sou livre, sou responsável pelos meus actos, isto é, devo responder por eles e a angústia tem nesta consciência a sua génese.

A palavra angústia (do latim angere) significa na sua origem etimológica oprimir, sufocar, estrangular. Corresponde a um medo vago ou indeterminado que nos sufoca. A angústia distingue-se do medo precisamente pelo facto de este ter um motivo determinado enquanto que a angústia é sentida como não tendo motivo.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:46

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