Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

29
Mai 16

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Convite para acertar o seu relógio com a “Hora da Ética“!

Após a boa receção dos dois primeiros encontros deste novo Ciclo de Conversas sobre Arte, Ciência e Cultura, em que se iniciou uma abordagem às grandes teorias da Filosofia Moral,  com as palestras dos Professores José Meirinhos (Universidade do Porto) e João Cardoso Rosas (Universidade do Minho) e as discussões animadas sobre ética das virtudes, ética kantiana e consequencialismo moral, propõe-se agora, no mesmo registo aberto e informal, um aprofundamento destas ideias no âmbito de uma série de sessões de ética aplicada coordenadas pelo Professor Roberto Merrill (UM).

Deste modo as próximas sessões irão dirigir-se a questões concretas da atualidade para as quais serão convidados investigadores de diferentes universidades portuguesas e estrangeiras a apresentar as suas teorias e a debatê-las com o público. Os temas que serão debatidos nos próximos meses incluem: a ética do rendimento básico incondicional (com o prof. Karl Widerquist), a ética da guerra (com o General Loureiro dos Santos), a ética da denúncia ou whistleblowing (com o prof. Daniele Santoro), a ética bancária (com o prof. Geert Demuinjk), a ética das sementes (com o prof. Axel Gosseries), a ética animal (com a professora Cátia Faria) e a tecnoética (com o prof. João Ribeiro Mendes), entre outros temas.

A próxima sessão decorre no próximo dia 13 de Junho de 2016, pelas 15 horas. Será a hora de um café filosófico nos jardins da Casa de Mateus, com Satoshi Matsui da Universidade de Senshu, Japão, a quem se juntará Juliana Bidadanure da Universidade de Stanford (Centre for Ethics in Society), nos Estados Unidos. Uma dupla de excelência, composta por dois brilhantes investigadores, que irá discutir a relação do socialismo com o liberalismo, numa perspetiva ética.

A conversa será moderada por Roberto Merrill, desta vez em inglês, com apoio de tradução em português.

Por ocasião deste encontro será oferecida aos participantes uma prova do Porto Vintage de 2006 da Quinta da Costa das Aguaneiras.

O CCACC é uma iniciativa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que se realiza em colaboração com a Fundação da Casa de Mateus, o Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e o Instituto Internacional Casa de Mateus.

A entrada é livre, mas os lugares são limitados pelo que se sugere inscrição prévia através do email: arquivo2@casademateus.pt

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:59

17
Mai 16

     

       “Frankenstein”, enquanto criatura, nasce de um desafio a Deus, como um projeto amaldiçoado de um genial cientista que ultrapassa os limites impostos pela condição humana. O que acontece, porém, quando o Homem viola as leis de Deus ou da Natureza e da Ciência? O que sobrevém a “Prometeu” quando ousa desafiar os deuses e lhes subtrai o fogo divino para o confiar aos humanos? Haverá limites para o conhecimento e para o progresso científico e tecnológico?

       Assim como o cientista criador e “Frankenstein” – a criatura que nasceu do desafio a Deus e às leis da Natureza – poderão vir a confrontar-se, também a nossa cultura científico-tecnológica comporta riscos que não devem ser negligenciados. Ciência e técnica sim, mas com consciência, subordinadas à reflexão ética.

      No seu laboratório privado, o genial cientista tem as ferramentas de que necessita para concretizar o seu projeto: diversos membros e dorsos humanos roubados de uma morgue. Peça por peça, começa a sua experiência. Construído como um boneco e provido de vida por uma poderosa descarga elétrica, a sua magnífica criação torna-se assustadoramente real.

      Ainda mais assustado que o seu criador humano, o ser desaparece na noite, desamparado, repugnante e vulnerável. Pode dizer-se que a criatura foi lançada no mundo, num mundo que lhe é de todo estranho. O exterior é-lhe opaco e estranho. Sente-se, por isso, como um estrangeiro. Trata-se de mera ficção. Todavia, constitui uma experiência mental capaz de ilustrar um conceito filosófico central: O conceito de absurdo.

      Segundo muitos filósofos, o absurdo é a característica definidora da existência humana. Tal é o caso dos existencialistas franceses, Albert Camus e Jean Paul Sartre.Tal como em “Frankenstein”, no homem o ab-surdo nasce do confronto entre o seu apelo, o seu grito e o silêncio irracional do mundo. Este silêncio significa, segundo Camus, que a existência humana não tem sentido. O absurdo expressa a relação do eu com o mundo, sendo experienciado como um divórcio entre o homem e a sua vida. O ser humano deseja a unidade, o absoluto, a salvação, a tranquilidade espiritual e depara-se apenas com a pluralidade, a contingência, o fracasso, o sofrimento e a finitude.

      Camus integra-se na corrente ateísta do existencialismo. Como tal, nega a existência de Deus. Neste sentido, a existência humana carece de sentido, dada a inutilidade do sofrimento, o caráter hostil da natureza e a inevitabilidade da morte.

      Em suma: o Homem e o monstro, “Frankenstein”, possuem a mesma condição existencial. Sentem-se estrangeiros, exilados em corpos e em mundos que lhe são estranhos e sem sentido. Porém, confrontado com o absurdo da sua existência, tal não significa que o Homem deva optar pelo suicídio. Pelo contrário: deve preferir viver com lucidez o instante a fim de conquistar mais liberdade.

      Não possuindo nenhuma identidade a priori, diria Sartre, o Homem ex-siste primeiro, surge no mundo e define-se posteriormente. Numa frase: a existência precede a essência.

     Não havendo sinais no mundo, nem Deus nem nenhuma moral que possa indicar o que se deve fazer, o Homem é um agente criador de si mesmo, pelas decisões que toma e pelos atos que põe em prática, estando, por isso, condenado a ser livre.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:45

16
Mai 16

Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados doutra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua

Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram


Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece


O Tejo que reflecte o dia à solta
æ noite é prisioneiro dos olhares
Ao Cais dos Miradoiros
Vão chegando dos bares os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas para que o dia
Não traia
Dietriches que não foram nem Marlénes


Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
E as simples ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite se acostuma e transfigura


Na Lisboa que amanhece

Composição: Sérgio Godinho

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

01
Mai 16

Uma Montanha do Tamanho do Homem

 

Era uma vez uma aldeia, como tantas outras por este país fora.

Aos poucos, os seus habitantes foram partindo. Uns para o exterior, em busca de uma vida melhor; outros, "partiram" vá-se lá saber para onde. Uns e outros, não mais voltaram.

Mas a aldeia persistiu, teimosa, fantasma e bela, tragicamente bela.

"Uma Montanha do Tamanho do Homem" é um documentário que nos dá a conhecer Drave, uma aldeia desabitada em Portugal. O acesso só é possível a pé, não há traços de modernidade, e praticamente não há comunicações. Ainda assim, todos os anos, milhares de pessoas escolhem passar por este lugar ... 

Esta é uma viagem ao interior mais profundo. Do país, da memória, da consciência, da humanidade e de cada um."

Para quem quer conhecer as profundezas da alma lusa e um pouco da nossa identidade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:11

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