Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

30
Jun 13

       (Abel Salazar, estátua num jardim da cidade do Porto)

 

O filósofo alemão Kant reduzia o campo da filosofia a quatro questões:

  1. O que posso conhecer?
  2.  O que devo fazer?
  3. O que me é permitido esperar?
  4. O que é o Homem?

   Ainda segundo Kant, todas as questões poderiam ser reduzidas à última que, como se sabe, diz respeito à antropologia filosófica.

   Sobre o Homem, são várias as ciências que o têm por objeto de estudo.

   A começar pela ambicionada Medicina, que se destina a tratar dos corpos e das almas dos homens enfermos; a Psicologia – assim como a Sociologia – que procura explicar, de um ponto de vista científico, o comportamento e os processos mentais dos seres humanos; a Antropologia Cultural que investiga o homem na sua vertente cultural, dedicando-se ao estudo dos costumes, mitos, valores, crenças, rituais, religião, língua…

   Bem se pode dizer que todas estas ciências se dedicam ao estudo do homem.

   Porém, ao especializarem-se em segmentos compartimentados e estanques, cada uma daquelas ciências comporta um risco: o de olvidar a unidade que só a reflexão filosófica poderá suprir. Qualquer estudo parcelar do homem deverá pressupor uma conceção geral, uma metateoria.

   É neste contexto que se deve interpretar a asserção de Abel Salazar, para quem “o médico que só sabe medicina, nem medicina sabe”.

   É, também, nesta linha de orientação que Edgar Morin exprimiu, numa proposição lapidar, o seu pensamento: “o homem é uma unidade biopsicossocial”.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 02:01

28
Jun 13

A nossa sociedade de consumo - ou o "tempo dos objetos", expressão utilizada por Baudrillard - é uma sociedade caracterizada pela abundância e circulação massiva de objetos que moldam a existência humana.

Na sociedade ocidental, "Ter" parece constituir uma condição necessária e suficiente para se Ser Feliz.

Com efeito, é indiscutível o poder de sedução exercido por diversos objetos, em particular os "objetos" tecnolológicos, nos mais jovens.

Poderíamos enumerar uma lista quase infindável desses objetos: telemóveis, iPods, Mp3, Mp4, computadores.

Tais objetos parecem exercer um poder verdadeiramente hipnotizante, em especial nos mais jovens, alienando-os da realidade, fazendo-os tomar o virtual pelo real.

São as novas sombras da caverna.

 

Eis uma visão crítica da nossa civilização dos objetos e da nossa conceção de felicidade:

 

"O homem branco (...) julga-se tão forte como o Grande Espírito.

Eis porque, do nascer ao pôr-do-sol, milhares e milhares de mãos mais não fazem do que fabricar coisas, coisas humanas cujo sentido ignoramos e cuja beleza desconhecemos. O papalagui procura sempre inventar coisas novas. As suas mãos tornam-se febris, o seu rosto, cor de cinza, e curvadas as suas costas; mas os olhos brilham-lhe de felicidade sempre que consegue uma nova coisa. Logo, todos a querem ter, todos a adoram e celebram.”

O Papalagui, Antígona, (p. 28)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 01:12

24
Jun 13

   

    Alguns analistas, conceituados técnicos, pretendem ver na suposta baixa produtividade o fundamento da atual crise económica e financeira e apontam um caminho para a saída desta situação crítica: reduzir o número de feriados e de férias e, inversamente, aumentar as horas efetivas de trabalho. Só assim, sustentam, podemos produzir mais e adotar um estilo de vida adequado aos padrões de consumo da nossa “sociedade de objetos”.

    O raciocínio parece ser o seguinte: para podermos inverter o atual estado de coisas, temos de produzir mais e para isso temos de dedicar mais horas do nosso tempo ao trabalho.

    Mas, para que havemos de produzir mais?

    A resposta parece desembocar numa falácia do raciocínio circular: para poder auferir rendimentos superiores. Afinal, tempo é dinheiro. E o Dinheiro é um “valor meio”, um valor instrumental que nos proporciona a aquisição de um vasto leque de “objetos” produzidos, alimentando, destarte, a “vontade de vontade”, de “poder” ilimitado e sem sentido que parece caracterizar a nossa sociedade contemporânea de produção e de consumo. Mais dinheiro propicia mais consumo, e este, por sua vez, dinamiza a Economia.

    Se auferimos mais dinheiro, consumimos mais; se consumimos mais, temos de produzir mais para ganhar mais dinheiro para poder consumir mais, num movimento contínuo e perpétuo que ninguém ainda conseguiu prever aonde conduzirá o homem e a sua “casa comum”, que habita, a Terra.

    Perante a prescrição dos analistas e técnicos conceituados, uma pergunta emerge. A solução da crise passa pelo incremento ou, inversamente, pelo decréscimo da produção de “objetos” a uma escala sustentável para o planeta e para a humanidade?

    São os “desejos” humanos que criam os “objetos” ou, contrariamente, são os “objetos” expostos numa qualquer vitrine de uma grande superfície comercial – as catedrais da nossa civilização – que despoletam nos humanos os “desejos”, fazendo apelo a um consumo ilimitado e irracional?

    Ou, será isto um falso dilema?

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:46

21
Jun 13

Enfim, fim-de-semana.

Um fim-de-semana significa, normalmente, tempo de lazer, de repouso, de ócio.

Não deixa de ser curiosa esta conceção de Tempo, próxima  da conceção do Homem da consciência pré-racional, do Homem do “mito”, para quem, como faz alusão Mircea Eliade em O Sagrado e o Profano, “tal como o espaço, também o tempo não é nem homogéneo, nem contínuo, havendo, por um lado, os intervalos de tempo sagrado, o tempo das festas e, por outro lado, o tempo profano, a duração temporal ordinária na qual se inscrevem os atos privados de significação religiosa”.

Sem ócio, o ser humano não poderia superar as amarras das suas necessidades básicas e “ascender” a valores de outra natureza.

Sem ócio, não haveria tempo para aprender ou para ir à escola, pelo que a Escola, (do Grego Skholé, és = descanso, repouso, lazer, tempo livre) enquanto instituição, não seria viável.

Este tempo de ócio não deverá, porém, confundir-se com a ociosidade, a preguiça ou a mandriice.

Pelo contrário. É condição necessária à construção de uma sociedade mais justa, mais livre e mais humana.

Façamos, por isso, a apologia do tempo livre, do feriado, do ócio.

Sobretudo, não se converta todo o tempo do mundo em tempo de "negócio", ou seja, da negação do ócio.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:35

16
Jun 13

    A revista Visão desta semana faz alusão a Aristides de Sousa Mendes e às vidas salvas graças à sua ação diplomática.

Desafiando ordens expressas do ministro dos Negócios Estrangeiros, António de Oliveira Salazar, Sousa Mendes concedeu 30.000 vistos de entrada em Portugal a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir de França em 1940, salvando, assim, a vida de milhares de pessoas, das quais cerca de 10.000 judeus.

Aristides de Sousa Mendes experienciou um genuíno Dilema Ético, tendo que ponderar e decidir entre valores materiais - a sua estabilidade profissional e segurança económica - e valores éticos e políticos - a vida e a liberdade de milhares de cidadãos inocentes.

Decidir nunca é um processo fácil, sobretudo quando envolve alternativas com consequências tão drásticas quanto as que Sousa Mendes teve que enfrentar.

Consta que os seus cabelos esbranquiçaram, de tão difícil e extenuante o dilema por si enfrentado.

O "preço" pago pela sua ousadia foi elevado, tendo sucumbido na miséria.

 

 Alguns dados biográficos:

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches (Carregal do Sal, Cabanas de Viriato, 19 de Julho de 1885 — Lisboa, 3 de Abril de 1954) foi um diplomata português. Cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:11

15
Jun 13

A psicanálise não reúne consenso sobre o seu estatuto, havendo mesmo quem questione a sua cientificidade. Tal é o caso de Popper.

     Deixando de lado a problemática da demarcação entre ciência e pseudociência, a psicanálise pode ser considerada uma corrente inovadora e revolucionária no modo de conceber o comportamento e a mente humana.

     Bruno Bettelheim foi considerado um dos mais notáveis psiquiatras na área das perturbações mentais infantis. Radicou-se nos Estados Unidos em 1939, depois de ter passado um ano nos campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

     Adotando uma metodologia na linha da psicanálise, Bettelheim revela-nos Em Psicanálise dos Contos de Fadas que, apesar de os contos de fadas terem sido criados muito antes do aparecimento da moderna sociedade de massas, podemos aprender muitas coisas com esses contos, nomeadamente acerca dos problemas interiores dos seres humanos.

     

     São suas, as seguintes palavras extraídas da referida obra:

    

     "O conto de Fadas O Príncipe Sapo – por exemplo – começa com a mais jovem das princesas a brincar com uma bola dourada perto de um poço. Esta cai no poço e a menina fica tristíssima. Aparece então um sapo que pergunta à princesa a que é devido o seu desgosto. Ele oferece-se para restituir a bola dourada à princesa desde que ela o aceite como companheiro, que se sentará ao pé dela, beberá do seu copo, comerá do seu prato e dormirá com ela na cama. Ela promete que sim, pensando no fundo dela própria que nenhum sapo poderia jamais ser companheiro de uma pessoa. O sapo traz-lhe então a bola dourada. Quando pede à princesa que o leve consigo para casa, ela foge e depressa esquece o sapo (...)."

     

      Como interpretar este conto à luz da psicanálise?

               

     A bola representa uma psique narcisística. Assim que a bola cai no poço, perdeu-se a ingenuidade.

     Apegada ao princípio do prazer, a menina faz promessas para obter o que quer. Porém, a realidade acaba por se impor.

     A caminhada em direção à intimidade com outrem é exposta: primeiro, a menina está só a brincar com a bola. O sapo mete conversa com ela. Depois vem visitá-la. Quanto mais o sapo se aproxima fisicamente mais enojada e angustiada ela fica, especialmente quando ele lhe toca.

     O despertar para a "vida íntima" não está livre de nojo e angústia.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:58

09
Jun 13

Já foi aludida - Última Estação – Epílogo - a resposta dos existencialistas ateus em relação à questão do sentido da existência.

Falta mencionar o "ramo" cristão do existencialismo.

Os existencialistas cristãos refletem sobre a pessoa humana na sua relação com o infinito, na sua relação com Deus.

Esta relação é entendida como uma relação de sentido, de complementariedade e união.

Será na aproximação destes dois pólos que se superam os limites e que a própria vida fica plena de sentido.

Ao contrário dos existencialistas ateus, para quem a existência de Deus retira liberdade ao homem, os existencialistas cristãos afirmam que Ele é a sua origem e o próprio sentido da vida.

Karl Jaspers pode ser considerado um dos representantes do existencialismo cristão.

Este autor concilia a liberdade humana com a existência do transcendente.  

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:24

07
Jun 13

Cinismo e Mundo Atual. Que relação?

Na atualidade, ninguém poderá sentir-se lisonjeado com o epíteto de cínico, o que é perfeitamente compreensível.

Atribuir a alguém tal adjetivo, com o intuito de o caracterizar, significa atribuir-lhe a prática e/ou ditos imorais, impudicos ou mesmo escandalosos.

Como tal, um cínico é alguém pouco recomendável, dado tratar-se de um desavergonhado ou um devasso.

Curiosa é a evolução semântica do termo “cínico” e aquilo que foi representando ao longo dos tempos.

Na antiguidade clássica, ser cínico significava abraçar uma filosofia de vida.

Esta filosofia de vida caracterizava-se, sobretudo, pelo desprezo em relação às convenções, leis e normas sociais.

Para os cínicos, a liberdade só poderia alcançar-se através da auto-suficiência.

O verdadeiro cínico, nunca seria "escravo" das suas necessidades físicas e emotivas, nunca recearia a fome, o frio, a solidão, nem mesmo sentiria qualquer desejo de sexo, dinheiro, poder ou glória.

O ideal do cínico clássico é o “regresso à natureza”. Em consonância com esse ideal, o cínico dorme em qualquer lado como um mendigo ou mesmo como um “cão”, sob o pretexto de que toda a terra é sua.

Por isso, pode dizer-se que são os primeiros hippies e punks da história da humanidade.

Ser-se cínico era, em suma, uma opção de vida, uma recusa da "civilização".

Decorridos mais de vinte séculos desde os primeiros cínicos, pelas artérias das nossas cidades – supostamente “civilizadas” – vagueiam e deambulam, em quantidade crescente, mendigos e sem-abrigos.

Porém, entre estes últimos e os primeiros “cínicos”, há uma diferença substancial.

Ser “cínico” constituía uma opção de vida, uma manifestação contra os valores e as convenções da sociedade;

"ser" mendigo, hoje, não constitui uma opção nem uma filosofia de vida. É antes uma fatalidade, uma desventura a que são votados muitos cidadãos, em virtude de uma sociedade cada vez mais hipócrita, insensível e cínica.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:47

03
Jun 13

 

“Frankenstein”. 

            Não se trata, seguramente, do filme das nossas vidas. Nem será, porventura, a melhor forma de terminar uma viagem de dois anos pelos caminhos iniciáticos da Filosofia. Uma viagem, quiçá, longa e “tenebrosa” para uns, breve, “enriquecedora” e emocionante, para outros.

            Trata-se, seguramente, da viagem mais importante das nossas vidas.

            A viagem encetada por quem ousa pensar, por quem se atreve a dizer não - porque o gesto do não sacode cabeças e consciências adormecidas por uma qualquer rotina ou por uma qualquer herança cultural;

            enfim, a viagem encetada por quem questiona, de um modo radical, a realidade e o ser.

            Porém, somente pôde ou desejou embarcar nessa alucinante viagem quem teve a capacidade de se “espantar”, pois o espanto, a admiração e a dúvida impelem o ser humano na demanda do conhecimento e da sabedoria. Ainda que esta consista no reconhecimento da sua ignorância.

            Aquele que não tem dúvidas, não procura o saber porque se considera, desde já, sábio. Todavia, aventura-se nas margens da errância, sem disso ter consciência.

            Agora que foram percorridos muitos percursos e alargados os horizontes, a viagem aproxima-se do seu desfecho.

            Desligam-se as luzes. Olhos fixados no fundo da sala, onde se projetam sombras, numa tela. Não correspondem à realidade pura. Por isso, há que saber ver para lá dessas “sombras”, há que saber desvelá-las.

            “Frankenstein”, enquanto criatura, nasce de um desafio a Deus, como um projeto amaldiçoado de um genial cientista que ultrapassa os limites impostos pela condição humana.           

            O que acontece, porém, quando o Homem viola as leis de Deus ou da Natureza e da Ciência?

            O que sobrevém a “Prometeu” quando ousa desafiar os deuses e lhes subtrai o fogo divino para o confiar aos humanos?

            Haverá limites para o conhecimento e para o progresso científico e tecnológico?

            Assim como o cientista criador e “Frankenstein” – a criatura que nasceu do desafio a Deus e às leis da Natureza – poderão vir a confrontar-se, também a nossa cultura científico-tecnológica comporta riscos que não devem ser negligenciados. Ciência e técnica sim, mas com consciência, subordinadas à reflexão ética.

            No seu laboratório privado, o genial cientista tem as ferramentas de que necessita para concretizar o seu projeto: diversos membros e dorsos humanos roubados de uma morgue. Peça por peça, começa a sua experiência. Construído como um boneco e provido de vida por uma poderosa descarga elétrica, a sua magnífica criação torna-se assustadoramente real. Ainda mais assustado que o seu criador humano, o ser desaparece na noite, desamparado, repugnante e vulnerável.

            Pode dizer-se que a criatura foi lançada no mundo, num mundo que lhe é de todo estranho. O exterior é-lhe opaco e estranho. Sente-se, por isso, como um estrangeiro.

            A história não é real. Trata-se de mera ficção. Todavia, constitui uma experiência mental capaz de ilustrar um conceito filosófico central:

             o conceito de absurdo.

            Segundo muitos filósofos, o absurdo é a característica definidora da existência humana. Tal é o caso dos existencialistas franceses, Albert Camus e Jean Paul Sartre.

            Tal como em “Frankenstein”, no homem o ab-surdo nasce do confronto entre o seu apelo, o seu grito e o silêncio irracional do mundo. Este silêncio significa, segundo Camus, que a existência humana não tem sentido. O absurdo expressa a relação do eu com o mundo, sendo experienciado como um divórcio entre o homem e a sua vida. O ser humano deseja a unidade, o absoluto, a salvação, a tranquilidade espiritual e depara-se apenas com a pluralidade, a contingência, o fracasso, o sofrimento e a finitude.

            Camus integra-se na corrente ateísta do existencialismo. Como tal, nega a existência de Deus. Neste sentido, a existência humana carece de sentido, dada a inutilidade do sofrimento, o caráter hostil da natureza e a inevitabilidade da morte.

            Em suma: o Homem e o monstro, “Frankenstein”, possuem a mesma condição existencial. Sentem-se estrangeiros, exilados em corpos e em mundos que lhe são estranhos e sem sentido.

            Porém, confrontado com o absurdo da sua existência, tal não significa que o Homem deva optar pelo suicídio. Pelo contrário: deve preferir viver com lucidez o instante a fim de conquistar mais liberdade.

            Ou, como diria Sartre, não possuindo nenhuma identidade a priori, o Homem ex-siste primeiro, surge no mundo e define-se posteriormente. Numa frase: a existência precede a essência.

            Não havendo sinais no mundo nem Deus nem nenhuma moral que possa indicar o que se deve fazer, o Homem é um agente criador de si mesmo, pelas decisões que toma e pelos atos que põe em prática, estando, por isso, condenado a ser livre.

 

            Enfim, cerram-se as cortinas. Eis-nos chegados ao termo da nossa viagem!

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:02

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