Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

27
Mai 13

É comum dizer-se que a Grécia Antiga constitui o “berço” da nossa civilização. Não faltam exemplos para ilustrar essa ideia.

A conceção naturalista do Homem, específica da moderna visão científica, estende as suas raízes ao longínquo século IV a.C., às ideias difundidas pelo epicurismo.

A corrente epicurista deriva o seu nome de Epicuro, nascido em Samos, filho de um mestre de gramática e de uma mágica adivinhadora.

O epicurismo, por sua vez, é conhecedor do atomismo de Demócrito e de Leucipo, inserindo-se, o seu pensamento, numa perspetiva materialista da realidade.

Com efeito, para Epicuro, a “alma” é de natureza material, pelo que morre com o corpo.

Por isso, não há que temer a morte, a qual passa a ser entendida não como um desaparecimento físico mas como uma transformação. 

Neste sentido, Epicuro e os atomistas parecem ter antecipado, em séculos, a lei de Lavoisier, segundo a qual “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

É, pois, com Demócrito e, sobretudo, com Epicuro que o pensamento naturalista verdadeiramente se constitui.

Segundo a cosmologia formulada por Demócrito e Epicuro, todos os objetos são compostos por corpúsculos extremamente pequenos, partículas elementares, indivisíveis e eternas: os átomos.

As suas múltiplas e variadas combinações bastam para produzir toda a diversidade de seres.

O ser humano não escapa a esta visão materialista da realidade, passando a ser entendido como um ser dotado de uma alma e de um corpo destinados à decomposição.

Este processo de decomposição significa, tão somente, que os átomos de um corpo ganham uma nova configuração, podendo dar lugar, com o advento da morte, a outros corpos: uma flor ou outra coisa qualquer.

A configuração ontológica subjacente à cosmologia dos atomistas e de Epicuro ganha, assim, como que uma dimensão “romântica”.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 16:42

24
Mai 13

 

Jack Vettriano, Singing Butler Portland Gallery

 

 Freud considerava três "ferimentos narcísicos".

O primeiro ocorrera com Copérnico. A nova conceção heliocêntrica destronava a Terra do centro do Universo;

o segundo momento foi desferido por Darwin. De acordo com este naturalista, o Homem deixa de ocupar um lugar central na criação divina, passando a estar sujeito às leis da seleção natural e da evolução das espécies;

por fim, com o próprio Freud, a afirmação de uma nova "região" da mente humana, o inconsciente ou id, faz esmorecer a ideia de uma racionalidade pura. Há a considerar, agora, as sombras da razão.

O Homem vê-se, enfim, destituído de qualquer estatuto especial, emerso num Universo frio e, aparentemente, sem sentido.

De acordo com Bruno Leclerc (op. cit.), "se a teoria darwiniana foi revolucionária  no plano científico, ela veio, por outro lado, abalar as ideias feitas acerca da posição do ser humano entre as espécies vivas. O princípio da seleção natural desferiu um rude golpe nas conceções finalistas, segundo as quais a transformação das espécies visava o aparecimento do Homem. Este, como ser dotado de consciência reflexiva é visto como coroamento da natureza".

Esta conceção naturalista de Darwin contraria a ideia de uma Natureza ou Essência Humana prévia e antecipa, pelas semelhanças, a divisa existencialista segundo o qual a "Existência Precede a Essência".

Com efeito, continua Leclerc, "segundo a perspetiva darwiniana, não existe um sentido previamente estabelecido para a evolução: não podemos senão constatar a posteriori a sua direção, observando os resultados das sucessivas tentativas e erros da seleção natural". 

Vêmo-nos, assim, remetidos para a seguinte ideia trágica: a humanidade, e cada homem, é fruto do acaso. Por muito que isso possa doer ao seu ego.

E, finaliza Leclerc: "se a evolução das espécies recomeçasse do princípio, havia poucas possibilidades de que ela voltasse a conduzir ao aparecimento da espécie humana".

Tão simples quanto isso! 

 

Relacionado com a conceção naturalista do ser humano: NASCER

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:54

16
Mai 13

Poderá ser de interesse:

A vida é bela 

Título Original:
La vita è bella
Realização:
Roberto Benigni
Actores principais:
Roberto Benigni, Nicoletta Braschi
Origem:
Itália
Ano de produção:
1997
  

Argumento:

Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, Guido,um judeu, é mandado para um campo de concentração, juntamente com o seu filho, o pequeno Giosuè. Guido é um homem simples, inteligente, espirituoso e possui um grande humor. Por ser um pai amoroso, consegue fazer com que o seu filho acredite que ambos estão participando num jogo, sem que o menino perceba o horror no qual estão inseridos.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:10

Anne Frank

 

A ideologia racista defende os seguintes aspetos:

 

 a) a espécie humana divide-se em raças distintas, das quais uma é a raça pura.

 

b) a raça pura é superior às outras raças.

 

c) a superioridade da raça pura justifica o seu domínio sobre as outras raças.

 

Caso se possa demonstrar cada um dos referidos aspetos, a teoria racista encontrar-se racionalmente justificada.

 

Ora,  a maioria dos estudos científicos concorda no seguinte: as raças humanas não existem. Os conhecimentos genéticos reduziram a quase nada o significado biológico do conceito de raça:

À luz da genética moderna, o conceito de raça baseia-se na variabilidade de alguns genes entre as dezenas de milhar que constituem os cromossomas do homem. Uma classificação fundada num número tão pequeno de genes não poderia ter um alcance tão geral. Para a etnologia moderna, o conceito biológico de raça não é utilizável.

Além disso, os grupos humanos atuais resultam da evolução completa e constante da espécie humana; os estudos históricos demonstram que os grupos humanos são resultado de mestiçagens e que nenhum pode ser qualificado como puro.   

 

Pois bem, não existindo raças puras, a teoria racista dissipa-se e a dominação de uma raça por outra não pode justificar-se.

 

(Este excerto pode ser consultado em : As Concecões do Ser Humano, Op. Cit.)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:28

13
Mai 13

 

   

    Gabriel, o Pensador, Racismo é Burrice

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 17:44

 

O racismo baseia-se em preconceitos ou pode ser racionalmente justificado?

 

A resposta de um Químico:

 

LÁGRIMA DE PRETA

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 17:23

12
Mai 13

Segundo Jean Pierre Faye, Le Siècle des Idéologies, "o século XX encontra uma das suas fontes num livro do século precedente".

Sob o título Ensaio Sobre as Desigualdades das Raças Humanas (1853), Arthur de Gobineau defende que a mistura de raças, a miscigenação, era inevitável e conduziria a raça humana a graus sempre maiores de degenerescência física e intelectual.

É-lhe atribuída a frase:

 

"Não creio que viemos do macaco mas creio que vamos nessa direção".

 

O trabalho de Arthur de Gobineau inscreve-se, assim, no âmbito do racismo e da eugenia.

O racismo constitui uma ideologia baseada na crença de que existe uma hierarquia entre os grupos humanos, as "raças".

 

Pergunta-se:

 

O racismo baseia-se em preconceitos ou pode ser racionalmente justificado?

 

A constatação das diferenças entre os grupos étnicos permitirão aceitar a afirmação da superioridade de um grupo sobre outro, segundo a definição do ser humano proposta pelo racionalismo? 

 

(Poderá ser de interesse: Multiculturalidade, Identidades e Mestiçagens)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:40

10
Mai 13

Histórias como a relatada no post anterior suscitam questões de natureza moral.

Casos de crianças com anencefalia, por vezes referidos como "bebés sem cérebro", são disso exemplo paradigmático. James Rachels, em Elementos de Filosofia Moral, descreve um dilema moral conhecido como a bebé Teresa, uma criança com anencefalia nascida na Florida em 1992:

 

"A história da bebé Teresa nada teria de notável não fosse o pedido invulgar feito pelos seus pais. Sabendo que a bebé não poderia viver por muito tempo e, mesmo que pudesse sobreviver, nunca iria ter uma vida consciente, os pais da bebé Teresa ofereceram os seus órgãos para transplante.  (...) Os médicos acharam uma boa ideia. (...) Mas os órgãos não foram retirados, porque na Florida a lei não permite a remoção de órgãos até o dador estar morto. Quando, nove dias depois, a bebé Teresa morreu,  era demasiado tarde para as outras crianças - os órgãos não podiam ser transplantados por se terem deteriorado excessivamente. (...)

Teria sido correto remover os órgãos da criança, causando-lhe dessa forma, morte imediata, para ajudar outras crianças?"

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:16

09
Mai 13

A vida de Beatriz C., 22 anos, em adiantado estado  de gestação e mãe de uma criança de um ano de idade, continua em  risco. Proibida de abortar no seu país, sob pena de ser castigada com até  50 anos de prisão, a jovem salvadorenha, portadora de lúpus e sofrendo de  insuficiência renal, apresentou há quase um mês um recurso ao Supremo  Tribunal (CSJ) para que a equipa médica do Hospital de Maternidade seja  autorizada a interromper a sua gravidez.

Os juízes da Vara Constitucional do CSJ vão decidir se pode  haver uma exceção na apertada legislação salvadorenha contra a interrupção  voluntária da gravidez. 

Ontem, o Instituto de Medicina Legal (IML) entregou ao Supremo  os resultados dos exames feitos a Beatriz no passado dia 3. Além das suas  doenças, ficou comprovado que o feto tem uma grave anomalia, uma vez que é  anencéfalo, ou seja, tem apenas metade do cérebro, e é muito provável que  morra poucas horas depois do nascimento.

Dennis Muñoz, advogado de Beatriz, questiona que o IML tenha  convidado representantes da Ordem dos Médicos e da Associação de Bioética,  organismo que não integram o instituto e que já se tinham pronunciado contra a  petição de Beatriz, para realizar os exames. Segundo Muñoz, o IML agiu de forma  "pouco ética e irresponsável".

 

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/supremo-de-el-salvador-vai-decidir-se-beatriz-pode-abortar=f805776#ixzz2SoWqTlU3

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 17:40

08
Mai 13

 

1. Sinopse do Filme “TRÓIA”

 

   Na Grécia antiga, a paixão de um dos casais mais lendários da História, Páris, príncipe de Tróia (ORLANDO BLOOM), e Helena (DIANE KRUGER), rainha de Esparta, desencadeia uma guerra que irá devastar uma civilização. Páris rouba Helena de seu marido, o rei Menelau (BRENDAN GLEESON), e este é um insulto que não pode ser tolerado. A honra da família determina que uma afronta a Menelau seja considerada uma afronta a seu irmão Agamenon (BRIAN COX), o poderoso rei de Micenas, que logo une todas as tribos da Grécia para trazer Helena de volta, em defesa da honra do irmão.
   Na verdade, a busca de Agamenon por honra é suplantada por sua ganância – ele precisa controlar Tróia para garantir a supremacia de seu vasto império. A cidade cercada de muralhas, comandada pelo rei Príamo (PETER O'TOOLE) e defendida pelo poderoso príncipe Heitor (ERIC BANA), é uma fortaleza que nenhum exército jamais conseguiu invadir. A chave da derrota ou da vitória sobre Tróia é um único homem: Aquiles (BRAD PITT), tido como o maior guerreiro vivo.
   Arrogante, rebelde e aparentemente invencível, Aquiles não tem lealdade a nada nem a ninguém, a não ser à sua própria glória. É sua sede insaciável pelo eterno reconhecimento que o leva a atacar os portões de Tróia sob a bandeira de Agamenon – mas será o amor que acabará por decidir seu destino.
   Dois mundos entrarão em guerra por honra e poder. Milhares perecerão em busca de glória. E, por amor, uma nação será reduzida a cinzas.

 

 

1.1.   Enquadramento do Filme “Tróia” na Disciplina de Filosofia, 10.º ano

 

 

   O Filme enquadra-se no tema da Ação Humana, Análise e Compreensão do Agir e clarifica o que é de facto o agir humano, distinto do comportamento animal.

   Enquanto o comportamento animal é orientado por instintos, isto é, por padrões hereditários de comportamento, não podendo por isso os animais fazer outra coisa, dado não terem a possibilidade de escolher, os seres humanos têm uma existência aberta e são confrontados, a cada instante, com a necessidade de escolher e decidir.

   Heitor, o herói da Guerra de Tróia, celebrado por Homero, é o exemplo paradigmático da condição humana.   Heitor enfrenta um inimigo mais forte do que ele, Aquiles. Sabe que corre o risco de ser morto, mas permanece voluntariamente firme no seu posto. Tem consciência que pode ser ferido mortalmente, de certeza que sente medo mas, ao mesmo tempo, sabe que está a cumprir o seu dever. Heitor podia fugir. Mas não há dúvida que no momento do combate é ele que decide enfrentar o medo e lutar.

   O seu comportamento não depende do instinto. É condicionado por valores que ele aprendeu a respeitar desde que nasceu, mas que não determinam necessariamente a sua conduta (em princípio). Heitor não está programado para ser herói, nem o está seja que Homem for. Ele enfrenta Aquiles porque quer. O seu comportamento resulta de uma decisão livre da sua vontade. Por isso, podemos admirar a sua coragem e só neste sentido podemos falar em valentia.

No domínio da Filosofia, chama-se “Ação” somente aos comportamentos que resultam de uma decisão livre e que comprometem, definem o carácter e responsabilizam o seu autor (o agente).

 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 17:58

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