Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

15
Fev 09

O homem deixou de estar no centro da criação após as descobertas de Darwin. Afinal, Deus não terá criado o Homem à sua imagem e semelhança. Este resulta, antes, de um longo processo de evolução filogenética.

A vida é um acaso feliz e, depois de emergir, evolui através da selecção natural. A existência do homem é puramente acidental. A teoria de Darwin  demonstra que somos animais como quaisquer outros, ainda que tal se trate de uma verdade difícil de aceitar.

Por tudo isto, "o homem - segundo Jacques Monod, um dos fundadores da Biologia Molecular - deve despertar do seu sono milenar e descobrir a sua solidão absoluta. Deve compreender que, como um cigano, vive na fronteira de um mundo estranho; um mundo que é surdo para a sua música e indiferente às suas esperanças, bem como ao seu sofrimento e aos seus crimes".

Esta é, enfim, a visão actual do naturalismo científico.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:00

14
Fev 09

(O Beijo, Rodin)

O homem,  fruto do desejo?

O que é o amor? Um meio de ascender ao conhecimento, como em Platão ou uma "cegueira do espírito", como em Descartes e Schopenhauer?

Em Platão, o amor está associado ao belo. Considera dois tipos de belo: o belo em si mesmo, tomado como essência ou forma Ideal que se distingue das coisas que, sendo belas, não passam de cópias daquela Ideia. Há uma relação de participação entre o belo ideal e as coisas reais belas do mundo dito sensível.

Como se chega ao belo absoluto, ideal, se este reside no "mundo inteligível" e se o homem vive no "mundo sensível"?

É pela alma ligada ao corpo que o homem sente amor pelo ser imbuído de beleza. Mas enquanto que a beleza dos corpos é finita, o amor é um desejo de eternidade, o que conduz a alma a afastar-se do carnal para atingir a beleza ideal, suprema e eterna que se confunde com o bem, a justiça e a sabedoria.

Já para o pensador pessimista Schopenhauer, o amor não passa de uma "armadilha estendida ao indivíduo para perpetuar a espécie". O amor será um impulso obstinado, um ímpeto cego, uma dinâmica sem objectivo nem razão, expressão daquilo que designa por Vontade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 12:59

12
Fev 09

Charles Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809. Darwin estava sempre a desiludir o viúvo pai com um desempenho académico medíocre. "Só queres saber de caça, de cães e de apanhar ratazanas, e hás-de ser sempre uma vergonha para a tua família e para ti próprio", escreveu-lhe o pai. 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:40

11
Fev 09

(O Grito de E. Munch)

Já aqui se fez alusão à frase que em 1945 Sartre terá proferido:

"Nunca fomos tão livres como durante a ocupação alemã".

O que pretendia dizer é que quanto mais uma situação é pressionante, difícil, trágica, mais urgente é a escolha e, como tal, a afirmação é apenas aparentemente paradoxal.

Como é sabido, Sartre enquadra-se no ramo ateísta da "árvore" existencialista. Mas, o que é o existencialismo? 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:46

10
Fev 09

O conteúdo programático do 11.º ano de Filosofia relativo ao "Conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica - Estatuto do conhecimento científico", tem ao seu dispor na Introdução à Metodologia da Ciência, de Javier Echeverría,  um precioso auxiliar, de que se destacam, em particular, os capítulos 3 e 4, "O falsificacionismo popperiano" e "Paradigmas e revoluções científicas", respectivamente. São abordados temas como o problema da indução, a falsificabilidade como critério de demarcação, graus de corroboração de uma teoria, os paradigmas científicos, ciência normal e revoluções científicas, as matrizes disciplinares, a incomensurabilidade entre paradigmas, entre outros.

Aqui fica a sinopse de Introdução à Metodologia da Ciência, de Javier Echeverría, Livraria Almedina:

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:58

09
Fev 09

(Tomada da Bastilha)

Deixando de lado a questão de saber se é o modo como pensamos que determina o nosso agir ou se, pelo contrário, são as condições materiais que sustentam e originam o nosso modo de pensar, a "super-estrutura" composta pela religião, direito, filosofia, como advoga o  materialismo dialéctico e histórico de Karl Marx, não se nos afigura extravagante afirmar o "poder das ideias" na evolução da história dos homens. Para o melhor e para o pior, embora se possa afiançar que a humanidade caminha, globalmente, no sentido do progresso.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:49

08
Fev 09

Ficheiro:Euthanasia machine (Australia).JPG(máquina de eutanásia)

Eutanásia: 

o relato de uma história verdadeira

Matthew Donnelly era um físico que trabalhou com raios X durante 30 anos. Talvez devido à exposição excessiva à radiação, contraiu cancro e perdeu parte da sua maxila, o lábio superior, o nariz, a mão esquerda e dois dedos da mão direita. Além disso, ficou cego. Os médicos de Donnelly disseram-lhe que tinha cerca de um ano de vida, mas ele decidiu que não queria continuar a viver em tal estado. Sentia dores permanentes. Um cronista afirmou que "nos piores momentos, deitado na cama, de dentes cerrados, viam-se gotas de suor a correr-lhe pela fronte". Sabendo que ia morrer de qualquer das maneiras, e desejando escapar à sua desgraça, Donnelly pediu aos seus três irmãos para o matarem. Dois recusaram, mas  o último não. O irmão mais novo, Harold Donnelly, de 36 anos, levou para o hospital uma pistola de calibre 30 e matou Matthew. 

(Este caso pode ser lido em:

RACHELS, James, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva)

- Ver Centro de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 15:30

07
Fev 09

 Caso de eutanásia comove Itália

 03-02-2009

Eluana Englaro, uma mulher que está em coma há 17 anos e que se tornou motivo de uma discussão acesa sobre a eutanásia em Itália, foi transferida esta noite para um hospital, que aceita "deixa-lá" morrer.

O caso está a comover todo o país e tem sido alvo de uma intensa batalha judicial e política há mais de 10 anos.

 
foto AFP
Caso de eutanásia comove Itália
 
 

A decisão foi já considerada pelo ministro da Saúde do Vaticano, Javier Lozano Barragan, como um "assassínio abominável".

Ao jornal La Repubblica, o cardeal pediu para "pararem com este assassínio".  "Interromper a alimentação e a hidratação de Eluana equivale a um abominável assassínio e a Igreja não parará de reclamar em voz alta (...) Não vejo como se poderia definir de outra forma o facto de não alimentar alguém", declarou o cardeal.

Evocando a decisão judicial que autoriza a cessação da alimentação, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça italiano em Novembro, o cardeal Barragan explicou que "a posição da Igreja, que defende a vida, mantém-se a mesma e não pode mudar devido a um veredicto de juízes".

Eluana Englaro chegou de madrugada à clínica "La Quiete" em Udine, nordeste, onde lhe será "desligado o apoio de vida" dentro de três dias, segundo médicos citados pela imprensa.

Eluana estava em estado vegetativo numa clínica de Milão, norte, desde o acidente rodoviário que a mergulhou no coma, em Janeiro de 1992.

Apesar das pressões da Igreja católica, do Vaticano, do governo de centro-direita de Sílvio Berlusconi e de responsáveis políticos regionais, o estabelecimento de Udine indicou em Janeiro que estava pronto para acolher Eluana para que ali vivesse os seus últimos momentos.

(In Jornal de Notícias)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:44

06
Fev 09

      

 

... pelos direitos humanos de meninas e mulheres em todo o mundo é

preciso fazer face, eliminar, abandonar, prevenir, desencorajar e pôr fim

à mutilação genital feminina.

 


Comemora-se hoje, dia 6 de Fevereiro, o dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Todos os anos, são vítimas desta prática hedionda cerca de 2 milhões de meninas. Desde bebés com poucos meses de vida até jovens de 20 anos são submetidas a esta tradição, embora a maioria das excisões ocorra em jovens entre os 12 e 14 anos. É no continente africano que a MGF predomina.

Uns legitimam esta prática em nome da perpetuação da tradição cultural; outros opõem-se àquilo a que chamam de barbaridade contra as mulheres. Trata-se de uma violação dos direitos das crianças e, por sua vez, dos direitos humanos. As consequências quer físicas, quer psicológicas são abomináveis, desde infecções devido ao uso de objectos ferrugentos, inapropriados, hemorragias até memo a morte.

Será que podemos ser toleráveis com estas práticas …. ditas culturais?

O facto de cada sociedade ou cultura histórica ter os seus valores, os seus costumes e rituais, não invalida a possibilidade de haver valores éticos fundamentais onde não podem caber relativismos ou fundamentalismos. A vida, a dignidade humana, a justiça, os bens primários devem ser interculturais, ou seja, princípios inquestionáveis em qualquer tempo e em qualquer lugar. Foi em prol do progresso moral, que a escravatura de outros tempos ou a submissão das mulheres em relação aos homens foram condenadas e extinguidas em certas culturas.

Aceitar, respeitar e tolerar que cada cultura avalie a moralidade das suas práticas sociais, como a mutilação genital feminina, a partir do seu contexto cultural, é permitir que as mesmas transgridam consciente e intencionalmente, as fronteiras daquilo que é tolerável. A urgência de valores concretos, universais, comuns é cada vez mais sentida, mesmo que a sua manifestação possa ser de acordo com as diferentes culturas. O importante é que eles existam e que, efectivamente, estejam presentes em cada acção que realizamos.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:45

05
Fev 09

Com Sócrates, Platão e Aristóteles, a história da filosofia grega terá atingido o seu auge após o que o grau de profundidade do pensamento decaiu, reflexo da decadência política e social. É o que sucede com o estoicismo, epicurismo e cepticismo.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:53

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