Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

28
Fev 09

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

 

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

 

Que ideia tenho eu das coisas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. É correr as cortinas

Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

 

O mistério das coisas? Sei lá o que é o mistério!

O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,

Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas coisas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,

E já não pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.

A luz do sol não sabe o que faz

E por isso não erra e é comum e boa.

 

Alberto Caeiro

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:00

26
Fev 09

O Pequeno Mendigo, Murillo
A comunicação social, mais particularmente o Jornal de Notícias de hoje, fez eco de uma notícia algo bizarra:
"Um juiz do Tribunal de Barcelona, em Espanha, condenou quarta-feira um mendigo francês a um ano de prisão por ter roubado, com recurso à violência, metade de um pão.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:45

25
Fev 09

 

A recente apreensão pela P.S.P. de Braga de livros com um controverso quadro de Gustav Courbet na capa, trouxe à memória a explicação psicanalítica da arte como expressão do inconsciente do artista. O referido quadro, intitulado A Origem do Mundo, representa frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher.
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:05

24
Fev 09

Não vai longe o tempo em que Deus, Pátria e Família, assim ordenados hierarquicamente, eram considerados os pilares da nossa sociedade, da sociedade portuguesa.

Decorridos pouco mais de 30 anos, mudaram-se os tempos … e os valores.
Hoje, habitamos um universo aparentemente dessacralizado, corolário, em parte, dos progressos científicos; Por outro lado, delimitaram-se os domínios do Estado e da Religião, do Profano e do Sagrado.
O conceito tradicional de família tem vindo a sofrer reformulações semânticas e o ideal patriótico, por sua vez, a ser substituído pela consciência de pertença ao mundo, por um ideal cosmopolita, a que não serão alheias, entre outras, as questões de natureza ecológica que transcendem as simples fronteiras geográficas e culturais.
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:34

21
Fev 09

(Em cima, à esquerda: "O rebelde desconhecido", Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen)

à direita, protesto contra a discriminação de género no trabalho)

Um dos domínios da Filosofia decorre da natureza social do Homem: a Filosofia Política.

O problema fundamental desta disciplina é, de acordo com o Dicionário Escolar de Filosofia,  o de saber como deve o estado relacionar-se com os cidadãos. Este problema dá origem a questões mais específicas: o que legitima a autoridade do estado? Até que ponto e para que fins pode o estado limitar a liberdade dos cidadãos? Em que medida e em que aspectos deve o estado fomentar a igualdade entre os cidadãos? O que é (ou seria) um estado que exibisse uma perfeita justiça social? Se a democracia é a melhor forma de governo, o que explica a sua superioridade? Será que mesmo num estado democrático o recurso à desobediência civil por vezes se justifica? 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:19

20
Fev 09

Paul Gaugin, Van Gogh a pintar girassóis

De modo geral, os artistas não procuram solucionar problemas nem construir teorias, ao contrário dos filósofos e dos cientistas. Há quem defenda que, por isso mesmo, a arte não contribui para compreender melhor a realidade. Como poderão algumas pinturas abstractas dizer-nos algo acerca da realidade? Que verdade existe numa obra literária? O que ficamos a saber quando escutamos uma composição musical?

Contudo, há muitos artistas e filósofos que defendem ser a arte uma forma de conhecimento. Mesmo quando não é conhecimento proposicional, o do Teeteto de Platão, a arte ensina-nos a ver, a ouvir, a sentir, alargando e apurando a nossa percepção e orientando a nossa sensibilidade de maneira a que as nossas experiências sejam cada vez mais enriquecedoras. É asim que uma pintura nos pode mostrar o que antes parecia não existir, ou que uma música nos pode ensinar muito sobre o modo como lidamos com as nossas próprias emoções, ou ainda que certas obras literárias nos permitem tomar consciência de coisas que de outra maneira dificilmente conseguiriamos ver tão nitidamente. Mesmo sendo um produto da imaginação, a arte pode ajudar-nos, por contraste, a ver melhor a verdade. Também a arte nos fala da realidade, quando nos desperta para a descoberta de determinados aspectos que se encontram, apenas, submersos pelas notas musicais, pelos traços, pelas pinceladas, pelos movimentos ...

 

"É também digno de atenção que a frase «Sinto o perfume das violetas» tem o mesmo conteúdo que a frase «É verdade que sinto o perfume das violetas». Deste modo, parece que nada é acrescentado ao pensamento pelo facto de lhe ser atribuída a propriedade da verdade."

Gottlob Frege, O Pensamento

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 11:03

19
Fev 09

Ficheiro:Sandro Botticelli 046.jpg(O Nascimento de Vénus, Botticelli)

De acordo com um dos fundadores da Sociologia, Augusto Comte, a ciência atravessou na sua evolução três estádios: teológico, metafísico e positivo.

Na era "teológica" as explicações dos fenómenos eram dadas pela intervenção de uma multiplicidade de deuses. Porém, a humanidade caminhou no sentido de substituir o politeísmo por um monoteísmo.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:52

18
Fev 09

Uma das questões clássicas relacionadas com as ideias, prende-se com o problema da sua origem, isto é, com o problema de saber de onde nos surgem, qual a sua fonte. Ao formularmos tal questão, deslocamo-nos do domínio lógico para o gnosiológico. Com efeito, o nosso conhecimento é constituído por ideias, juízos e raciocínios, mas como os juízos e os raciocínios são obtidos a partir das ideias, o problema da origem do conhecimento consiste em determinar como se adquirem as ideias. Este problema consiste em saber de que modo o "sujeito cognoscente" atinge o "objecto".

Ao afirmarmos, por exemplo, que "O triângulo é um polígono de três ângulos" ou  que "Esta água ferve, aqui e agora, a 100º", tais frases exprimem conhecimentos, embora de natureza diversa. No primeiro caso, estamos perante um conhecimento necessário do ponto de vista lógico e universalmente válido; no segundo, ao invés, trata-se de um conhecimento contingente e particular.

Há, portanto, duas espécies de saber.

Mas, qual a sua origem? A razão/pensamento, os sentidos/experiência ou ambos? É a esta pergunta que racionalismo e empirismo tentam responder.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:37

17
Fev 09

(Pensador de Rodin)

Costuma definir-se ideia ou conceito como a representação intelectual da essência de um ser ou objecto. Representa aquilo que há de permanente, imutável e comum em todos os objectos de uma espécie.

A ideia é a unidade básica do pensamento e está para este como o átomo está para a matéria.

É por um processo de abstracção e de generalização que se formam as ideias. Através da abstracção o espírito ou a mente pode isolar, no cerne da realidade, conjuntos estáveis de características comuns a numerosos indivíduos e associar um nome ou termo a cada um desses conjuntos.

A relação que existe entre os termos  - plano da linguagem -  e as ideias   - plano do pensamento -  é uma relação convencional. Na perspectiva do emissor a ideia é anterior ao termo mas do ponto de vista do receptor é o termo que antecede a ideia.

É pelas ideias ou conceitos que conhecemos e organizamos ou configuramos a realidade e, portanto, que nos ligamos (intelectualmente) a ela.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:13

16
Fev 09

Da morte, argumentavam os epicuristas, não tem o homem que recear, uma vez que quando a morte chega, já nós cá não estamos.

Inspirando-se no sistema "atomista", especialmente em Demócrito, os epicuristas sustentam a natureza material da realidade. Com efeito, Demócrito e Leucipo afirmam que é das múltiplas combinações possíveis dos "átomos" - considerados, então, a partícula de matéria indivisível - que resultam todos os corpos e todas as mudanças.

O materialismo é o denominador comum às duas correntes. O sistema materialista defende um monismo, segundo o qual apenas existe uma substância: a matéria.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:20

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