Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

07
Dez 08

 Pensam os homens e mulheres de maneira diferente sobre a ética?

  1. A resposta de um rapaz (Jake) de onze anos:

R. Para começar, uma vida humana vale mais do que o dinheiro, e se o farmacêutico ganhar apenas mil dólares, continua vivo, mas se Heinz não roubar o medicamento, a sua mulher morre.

P. Por que razão a vida humana vale mais que o dinheiro?

R. Porque o farmacêutico pode ganhar mil dólares mais tarde, pagos por pessoas ricas com cancro, mas Heinz não pode recuperar a sua mulher.

P. E porque não?

R. Porque as pessoas são todas diferentes e por isso não seria possível recuperar outra vez a mulher de Heinz.

 

      2.   A resposta de uma rapariga (Amy), também de onze anos:

 

R. Bem, eu penso que não. Penso que poderia haver outras maneiras além do roubo, como por exemplo se pudesse pedir o dinheiro ou fazer um empréstimo ou coisa do género, mas ele não devia roubar o medicamento. Mas a mulher dele também não devia morrer... Se ele roubasse o medicamento, poderia salvar a mulher, mas se roubasse, podia ir para a cadeia e, então, a sua mulher podia piorar outra vez, e ele já não podia arranjar mais medicamentos, e isso podia não ser bom. Por isso, eles deviam realmente conversar e descobrir outra maneira de arranjar o dinheiro.

RACHELS, James, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 12:20

06
Dez 08

 

Uma mulher estava a morrer com um tipo especial de cancro. Havia um medicamento que, segundo pensavam os médicos, podia salvá-la. Era uma forma de radium que um farmacêutico, na mesma cidade, descobrira recentemente. A manipulação do medicamento era cara, mas o farmacêutico cobrava dez vezes mais do que o preço do custo. Pagava $ 200 pelo radium e cobrava $ 2000 por uma pequena dose de medicamento. O marido da senhora doente, Heinz, recorreu a toda a gente que conhecia para pedir o dinheiro emprestado, mas só reuniu $ 1000, que era apenas metade do custo. Disse ao farmacêutico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe para o vender mais barato ou se podia pagá-lo mais tarde. Mas o farmacêutico disse “não, descobri o medicamento e vou fazer dinheiro com ele”. Então, Heinz fica desesperado e pensa em assaltar a loja do homem e roubar o medicamento para a sua mulher. Seria errado fazê-lo? (Continua)

(Problema imaginado pelo psicólogo Lawrence Kohlberg)

(Ver Dilema)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 16:11

05
Dez 08

Pensam os homens e mulheres de maneira diferente sobre ética?

"A ideia de que homens e mulheres pensam de forma diferente tem tradicionalmente sido usada para justificar a subjugação de umas pelos outros. Aristóteles afirmou que as mulheres não são tão racionais como os homens, e, por isso, são naturalmente governadas pelos homens. Kant concordava, e acrescentou que por essa razão as mulheres "carecem de personalidade civil" e não devem ter voz na vida pública. Rousseau tentou suavizar a ideia ao sublinhar que homens e mulheres apenas possuem virtudes diversas; mas é claro que no final se verifica que as virtudes dos homens os tornam adequados para a liderança, enquanto as virtudes das mulheres as tornam ideais para a casa  e a família. 

   Tendo em conta este pano de fundo, não surpreende que o florescente movimento feminista dos anos 1960 e 1970 tenha rejeitado em bloco a ideia de diferenças psicológicas entre mulheres e homens. A concepção dos homens como racionais e das mulheres como emocionais foi descartada como mero estereótipo. A natureza, afirmava-se então, não faz qualquer distinção moral ou mental entre ambos os sexos; e quando parece existir tais diferenças é apenas porque as mulheres foram condicionadas por um sistema opressivo a comportar-se de forma "feminina".

No entanto, mais recentemente as pensadoras feministas reconsideraram a questão, e algumas concluíram que as mulheres pensam de facto de maneira diferente dos homens. Mas, acrescentam, as formas femininas de pensar não são inferiores às dos homens; nem essas diferenças justificam subordinar alguém a outrém. Pelo contrário, a forma feminina de pensar contém intuições que têm faltado nas áreas de actividade de dominação masculina. (...) A ética é considerada uma candidata preferencial para este tratamento."

 

RACHELS, James, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva, pp. 227-228

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 10:45

 

Como seria viver sem o senso comum?Excelente pergunta!! Atrevo-me a dizer que seríamos mais puros. Sem o senso comum não seríamos afectados pelas ideias pré-feitas; não nos seria tudo dado como uma "prenda" que, mesmo que não gostemos, temos que aceitar, pois, caso contrário, não seríamos bem vistos. Assim, todos poderíamos (e necessitaríamos de) utilizar o pensamento e criar as nossas próprias ideias, os nossos próprios valores, as nossas posições. E mais, visto que cada um teria a sua opinião e não haveria opiniões gerais que todos usariam, seria mais fácil exprimirmo-nos. Porém, visto que a capacidade crítica é inerente aos seres humanos e que sem o senso comum ver-nos-íamos obrigados a dar-lhe uso, as posições assumidas por cada pessoa seriam igualmente criticadas.
Certamente que a nossa vida não seria igual. Quero dizer, por momentos, não seria igual. E digo por momentos pois o ser humano tem tendência a simplificar o que o rodeia, pelo que o senso comum acabaria por surgir. Mas, entretanto, a vida diferiria da que temos com o senso comum. Isto porque seríamos obrigados a analisar as coisas até às suas mais ínfimas raízes para as compreender. Por exemplo, saber quando iria chover não passaria apenas por olhar para o céu e reparar nas nuvens (se estavam escuras ou não), passaria sim, por estudar a atmosfera, os gases presentes nela e tudo o que existe antes deste fenómeno tão habitual. Concluindo, ver-nos-íamos obrigados a ir para além do observável ... ou seja, a pensar sobre as coisas. E vendo bem, não é essa a mais correcta forma de saber?
Joana Filipa Pesqueira, n.º 11
10.º ano Turma A
 
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 10:15

04
Dez 08

Paisagem com libelulas.jpg

A Alma do Índio

Em 1854, o presidente dos E.U.A., Franklin Pierce - a quem os índios chamavam o Grande Chefe Branco de Washington - apresentou uma proposta ao chefe índio Seattle com o objectivo de lhe comprar uma vasta extensão de terras e o compromisso de criar uma "reserva" destinada a preservar a segurança e a integridade cultural do povo suquamisch. O chefe Seattle rspondeu num longo e notável documento de que se destacam as seguintes passagens:

Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo. Cada brilhante mata de pinheiros, cada grão de areia nas praias, cada gota de orvalho nos escuros bosques, cada outeiro e até o zumbido de cada insecto é sagrado para a memória e para o passado do meu povo. A seiva que circula nas veias das árvores leva consigo a memória dos Pele Vermelhas.

(...)  Somos parte da terra e do mesmo modo ela é parte de nós próprios. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos; as rochas escarpadas, os húmidos prados, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencemos à mesma família. Por tudo isso, quando o Grande Chefe de Washington nos envia a mensagem de que quer comprar as nossas terras, está a pedir-nos demasiado. (...)

A água cristalina que corre nos rios e ribeiros não é somente água: representa também o sangue dos nossos antepassados. (...)

Os rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede; são portadores das nossas canoas e alimentam os nossos filhos. (...)

Sabemos que o Homem Branco não compreende o nosso modo de vida. (...) A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga e, uma vez conquistada, ele segue o caminho, deixando atrás de si a sepultura de seus pais, sem se importar com isso! (...)

O Homem Branco trata a sua Mãe, a Terra, e o seu irmão, o Firmamento, como objectos que se compram, se exploram e se vendem como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devorará a terra deixando atrás de si só o deserto. Não sei, mas a nossa maneira de viver é diferente da vossa. Só de ver as vossas cidades entristecem-se os olhos do Pele Vermelha. Mas talvez seja porque o Pele Vermelha é um selvagem e não compreende nada. (...)

Ensinem aos vossos filhos que a terra é nossa mãe e que tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem em si próprios. Isto sabemos: a terra  não pertence ao homem; o homem pertence à terra. (...)

Onde se encontra já o matagal? Destruído! Onde está a águia? Desapareceu!

Termina a Vida e começa a sobrevivência!

 

(Este e outros discursos célebres de chefes índios podem ser lidos em:

A Alma do Índio, Padrões Culturais Editora)

Ver Animismo

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:19

03
Dez 08

Suponhamos que um aluno propõe ao professor que não haja aulas no último dia antes das férias de Natal, pois sendo o último dia, deve celebrar-se isso como uma espécie de feriado de aulas. Esta tese tão popular entre os alunos, está exposta a uma redução ao absurdo, que nos leva à conclusão de que nunca deveria haver aulas.

 
COMO?????
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:01

 

 WITTGENSTEIN

 

«18. […] A nossa linguagem pode ser vista como uma cidade antiga: um labirinto de travessas e largos, casas antigas e modernas e casas com reconstruções de diversas épocas; tudo isto rodeado de uma multiplicidade de novos bairros periféricos com ruas regulares e as casas todas uniformizadas

 

[in Investigações Filosóficas: Lisboa, trad. M. S. Lourenço, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987]

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:48

02
Dez 08

 Paradoxos da Lógica

"Dificilmente existirá uma pessoa que não tenha feito uso, numa altura ou noutra, do bem conhecido adágio: "Toda a regra tem excepção". Existem provavelmente poucas pessoas, todavia, que tenham reparado no facto de que a expressão se contradiz a si própria.

A afirmação é, para todos os efeitos e propósitos, uma regra no sentido de todas e quaisquer regras terem excepções. Ora, se todas as regras têm excepções, então esta regra que estamos a considerar "Toda a regra tem excepção" terá de ter excepção.  E o que seria uma excepção a esta regra? Bom, a única coisa que podia ser era uma regra sem excepção. E se existe uma regra sem excepção, então nem todas as regras têm excepções.

Mas talvez seja melhor recorrermos uma vez mais ao raciocínio passo a passo:

       (1) Toda a regra tem excepção.

       (2.) A afirmação (1) é uma regra.

       (3) Portanto a afirmação (1) tem excepção.

       (4) Logo, nem toda a regra tem excepção.

 

  In Curiosidades da Matemática, Eugene P. Northrop, Pelicano

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:27

01
Dez 08

 

"Para Sartre, e para todos os filósofos existencialistas, o homem é um existente em situação. Tem um corpo, um passado, amigos e inimigos, obstáculos perante si etc. Mas, por outro lado, é o homem existente que confere à situação o seu sentido. Por exemplo, um determinista, um "essencialista" pretenderia que os homens se revoltam porque estão numa "situação intolerável". Sartre afirma que nenhuma situação é intolerável em si mesma. É um projecto existencial de revolta que lhe conferiu esse sentido. Projectando as minhas intenções, os meus projectos, sobre a situação actual, faço da situação, qualquer que ela seja, um motivo da minha liberdade. As situações mais dolorosas e mais constrangentes não retiram ao homem a sua condição de existente livre, mas, pelo contrário, evidenciam-na. Sartre dizia em 1945: "Nunca fomos tão livres como durante a ocupação alemã". O paradoxo é só aparente, porque quanto mais uma situação é pressionante, difícil, trágica, mais urgente é a escolha". 

In  Luís Rodrigues e Júlio Sameiro, Introdução à Filosofia, 10.º ano, Vol. 1, Plátano Editora

(Ver Libertarismo ou Libertismo)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 15:35

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