Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

18
Dez 08

De acordo com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, é o acto de fixar limites, delimitação. Deriva da palavra latina "Finis", que significa limite ou fronteira. Assim sendo, definir um conceito é indicar os seus limites de modo a não se confundir com os demais conceitos. 

Classicamente, as definições dividem-se em reais e nominais. A Definição Essencial é uma espécie de definição real. Constrói-se pela indicação do Género Próximo a que se acrescenta a Diferença Específica.

Dizer que o Homem é um Animal Racional é proceder à sua definição essencial:

Género Próximo = Animal;

Espécie = Homem;

Diferença Específica = Racional.

É com base na compreensão e na extensão dos conceitos (ou ideias) que é efectuada a definição.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:14

17
Dez 08

 

"Era uma vez uma centopeia que com as suas cem pernas era muito boa a dançar. Quando dançava, os animais reuniam-se no bosque para a admirar e todos estavam muito impressionados pela sua habilidade. Só um animal não podia suportar que a centopeia dançasse, um sapo.

Como é que posso impedi-la de dançar? Pensou o sapo. Por fim, tramou um plano diabólico. Escreveu uma carta à centopeia: "Ó incomparável centopeia! Sou um devoto admirador da tua requintada dança. Gostaria de saber como te moves a dançar. Levantas primeiro a perna esquerda número 22 e depois a perna direita número 59? Ou começas por levantar a tua perna direita número 26 antes de levantares a tua perna esquerda número 44?"

Quando a centopeia recebeu esta carta , reflectiu pela primeira vez na sua vida  no que fazia quando dançava. Que perna movia em primeiro lugar? E que perna vinha a seguir? Após o que a centopeia não voltou a dançar.

É isso que pode suceder quando a FANTASIA é sufocada pela RAZÃO."

GAARDER, Jostein, O Mundo de Sofia, editorial Presença

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:40

16
Dez 08

Ver imagem em tamanho real

O mais velho dos paradoxos da lógica data do século VI a.C., quando Epiménides se julga ter pronunciado a sua famosa observação: "Todos os cretenses são mentirosos". Para encontrarmos algo de paradoxal nesta observação temos de a apresentar novamente sob a forma: "Todas as afirmações feitas pelos cretenses são falsas". A dificuldade começa ao considerarmos o facto de Epiménides, que produziu esta afirmação, ser, ele próprio, cretense. Nesse caso, todas as afirmações feitas por Epiménides são falsas. Particularmente a sua afirmação de que "Todas as afirmações feitas pelos cretenses são falsas" é falsa, de forma que todas as afirmações feitas pelos cretenses não são falsas.

 

Eis o raciocínio, passo a passo:

 

(1) Todas as afirmações feitas pelos cretenses são falsas.

(2) A afirmação (1) foi feita por um cretense.

(3) Logo, a afirmação (1) é falsa.

(4) Portanto, nem todas as afirmações feitas pelos cretenses são falsas.

 

As Afirmações (1) e (4) não podem, de acordo com o princípio do terceiro excluído, ser ambas verdadeiras. Contudo, a afirmação (4) segue-se logicamente da afirmação (1). Consequentemente, a afirmação (1) contradiz-se a si própria.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:47

14
Dez 08

         

 

 «PARA QUE SERVE A FILOSOFIA?»

PALESTRA

Dinamizada pelo Prof.º Tiago Pita

(Presidente da Assembleia-Geral da Associação de

Aconselhamento Ético e Filosófico em Portugal)

15 de Dezembro 2008 | 14h00

Auditório da Escola EB 2,3/S de Moimenta da Beira


Sobre Tiago Pita:

- Licenciado em Filosofia, via ensino, pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa;

- Licenciado em Psicologia Clínica e da Saúde, pelo Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior;

- Mestre em Educação - vertente Desenvolvimento Pessoal e Social pelo Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior;

- Certificado em Aconselhamento Filosófico pela Society for Philosophy in Practice - London;

- Frequência do Doutoramento em Psicologia no Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior;

- Sócio Fundador e Presidente  da Mesa da Assembleia-Geral da Associação de Aconselhamento Ético e Filosófico em Portugal (desde a sua fundação - 2004);

- Professor do QZP do Baixo Alentejo/ Alentejo Litoral, colocado na Escola Secundária com 3.º ciclo D. Manuel I em Beja onde  lecciona as disciplinas de Filosofia do 10.º ano, Psicologia B e Área de Projecto do 12.º anos;

- Faz, também, Psicologia Clínica na mesma escola.

 

Ver www.apaef.com

 

O grupo de Filosofia

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 02:11

13
Dez 08

"A filosofia está escrita nesse grandioso livro que se mantém continuamente aberto perante os nossos olhos (quero dizer, o Universo), mas não se pode entendê-lo se primeiramente não se cuida de entender a língua e conhecer os caracteres em que está escrito. Está escrito em linguagem matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem as quais é impossível entender humanamente alguma palavra; sem estes meios é dar volta em vão num obscuro labirinto".

Galileu Galilei, O Ensaiador, IV 

Consequências:

- O "casamento" da Física com a Matemática e a consequente matematização do real, da natureza;

- Substituição do paradigma animista por um mecanicista da natureza.

 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:01

12
Dez 08

"O louco perdeu tudo, menos a razão". Mas ela gira em falso: perdeu os trilhos do real. O delírio paranóico, por exemplo, pode ser de uma coerência formidável; mas é fechado sobre si mesmo, em vez de se abrir para o mundo. O pensamento só escapa da loucura pelo seu exterior, que é o real ou o pensamento dos outros. O que é verdade apenas para você, verdade não é.

COMTE-SPONVILLE, André, Dicionário Filosófico, Martins Fontes                     

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:11

11
Dez 08
 13 de Dezembro de 2008 (próximo sábado)

Aula Magna da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa

 

Organização:

Sociedade Portuguesa de Ciências Cognitivas com a colaboração da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa

 

Programa:

09:00    Abertura do Secretariado

09:30    Prisioneiros do próprio cérebro ou livres na vontade

Sara Fernandes, UCP - Lisboa

10:15    A ilusão de liberdade

José António Alves, UCP - Braga

11:00    Intervalo

11:30    As bases neurobiológicas da ética em António Damásio

Alfredo Dinis, UCP - Braga

12:15    Almoço

14:30    A vida perfeita: sem ética e sem neurónios

Manuel Curado, UM

15:15    Constrangimentos à plasticidade estrutural na relação humana: mudança no eu e nos valores

Judite Zamith Cruz, UM

16:00    Intervalo

16:15   Neuromarketing: emoções e relevância social nos cérebros dos consumidores

José Paulo Santos, ISMAI

17:00    Fundamentos naturais da ética: onde está o contra-senso?

Ana Morais Santos; UBI

17:45    Encerramento

 

Mais Informações:

José António Alves

jalves@braga.ucp.pt

jalvespt@iol.pt

tel. 253 201 204

 

 (Ver exemplo de dilema ético)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:36

"Aquilo que coloca a arte numa posição oposta às outras actividades humanas parece-nos ser o seu carácter "não figurativo". Pois que até a Arte mais simples - a Arte infantil ou demente e mesmo a Arte trivial - é ainda transfigurativa na medida em que ultrapassa a realidade vulgar por meio de uma idealização, por mínima que seja. Não é a realidade pura, mas uma realidade revista e corrigida pelo homem que aparece nela através da Arte. (...) Para que a arte fosse totalmente realista seria preciso suprimir o autor. Já não haveria saltimbancos desnudos, nem candeeiros acesos em pleno dia. (...) Se tivesse sido idêntica ao real, a arte já não seria artística. (...) Que se diga que a arte é transposição ou simbolização, evasão ou ultrapassagem, pouco importa. É sempre a passagem de uma realidade vulgar para um mundo sobre-real que ela instala numa existência autónoma. Se assim for, eis o critério encontrado: é precisamente o grau de transfiguração. Quanto mais a obra fica terra-a-terra menos é obra de arte. Quanto menos ela é natural mais é artística."   

HUISMAN, Denis, A Estética, Edições 70    

(Ver ARTE                                                                  

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 09:57

09
Dez 08

Em todos os meus aniversários, até hoje, fiz menos do que 30 anos. Consequentemente, por indução, em todos os meus aniversários farei menos do que 30 anos!

Será mesmo?

A indução é um tipo de raciocínio especialmente usado pelas ciências da natureza, experimentais (ao invés das ciências formais que usam a dedução). Também se revela importante no domínio do senso comum. Com efeito, é por indução que sabemos que amanhã o sol vai "nascer", que um dia vamos fazer uma "viagem" sem retorno, etc, etc.. uma vez que assim estamos habituados pela regularidade com que os fenómenos se sucedem, como demonstra David Hume, na sua crítica ao processo indutivo.

Todavia, a indução apenas nos fornece um maior ou menor grau de probabilidade e não uma relação de necessidade lógica entre premissas e conclusão. O facto de se terem observado mil cisnes, todos eles de cor branca, habilita-nos a concluir, tão só e apenas, que provavelmente  (e não necessariamente) todos os cisnes são ou serão brancos. Isto se deve ao facto de a conclusão ultrapassar, em extensão, o que é afirmado nas premissas. É com base no exposto que Karl Popper, aliás, propõe o falsificacionismo, ao invés do verificacionismo, tradicionalmente referido como método científico.

 (Ver Indução)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:59

08
Dez 08

O que torna uma acção moralmente boa? São os seus resultados, as suas consequências ou é a intenção com que é praticada? 

 

Vejamos o seguinte texto que nos permite enquadrar o problema:

 

"O leitor é um cirurgião - e um pouco filósofo. É o chefe de uma equipa de primeira linha de especialistas em transplante de órgãos, com um registo imaculado de resultados de sucesso. Na sua lista de espera encontram-se quatro jovens, todos desesperadamente doentes e a precisarem urgentemente de transplantes sem os quais morrerão em breve. Andrea precisa de um transplante de fígado, Barry de coração, Clarissa de pâncreas e Donald de pulmões. Não existem dadores disponíveis. O leitor está desesperado. Não entrou para a medicina por dinheiro; queria ajudar as pessoas e melhorar as suas vidas, e agora encontra-se diante de quatro jovens que estão a morrer. (...)

Quando está prestes a dizer aos seus pacientes que não há esperança, apercebe-se da entrada do novo recepcionista - por sinal, um jovem, Eric. Sabe, pela sua ficha médica, que é saudável. Os seus olhos adquirem um brilho. Pede a Eric que o acompanhe à sala de cirurgia, para lhe mostrar as instalações, claro, claro... o seu raciocínio silencioso é:

Quero fazer o meu melhor pelo maior número possível de pessoas. Ao matar Eric, tenho a possibilidade de distribuir os seus órgãos pelos jovens Andrea, Barry, Clarissa e Donald, salvando as suas vidas. É verdade, o mundo deixa de ter Eric; isso é mesmo uma triste perda. Mas ganhou as outras quatro vidas. Quatro pelo preço de uma é um óptimo negócio."

 

P- Do ponto de vista moral, será correcta esta acção?

 

CAVE, Peter, Duas Vidas Valem Mais Que Uma? Academia do Livro

 

(Ver Ética)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

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