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Imagem do Filme Matrix           

                Para aquele que é, usualmente, reconhecido como o fundador da filosofia moderna, o cogito constitui uma verdade absolutamente indubitável. Por isso, o edifício do conhecimento encontra os seus alicerces na “coisa pensante” e a “construção” desse edifício deriva das “sementes de verdade” que se encontram depositadas no cogito. Após a descoberta do “ponto fixo” que é o seu pensamento, Descartes vai, passo a passo, descobrindo Deus e, só no fim da “estrada” consegue vislumbrar a matéria, enquanto “coisa extensa”.

                Significa isto que o mundo material se encontra reduzido às propriedades ou qualidades primárias, as únicas que, segundo Descartes, possuem existência objetiva.

                Com o filósofo instaurador da modernidade, redescobre-se um Universo estranho. Um universo destituído de odores, sons, cores, um universo glacial e soturno que só pode ser lido por quem conhece a linguagem matemática, como defende Galileu. Como estranho é o trajeto intelectual percorrido por Descartes, cujo ponto de partida é o pensamento, inicialmente solipsista. Com a descoberta da entidade metafísica, a "coisa divina", Descartes supera a solidão inicial. Só no fim do seu percurso comprova a existência da matéria, da qual o seu corpo faz parte integrante. Por isso, pode dizer-se que Descartes é inicialmente “teólogo” e só depois “físico”, invertendo a ordem habitual das crenças. 

                É plausível que o universo que habitamos seja herdeiro do fundador da modernidade. Esta opinião é sustentada por João Maria André em Pensamento e Afetividade, para quem “uma das dimensões subjacentes a toda a dinâmica da Telepolis é o esquecimento do corpo”, como acontece no sistema cartesiano.

                O universo cultural contemporâneo é o universo da telepolis onde as novas Tecnologias da Informação e da Comunicação jogam um papel determinante nas relações humanas, configurando as relações de comunicação do homem com os outros e com o mundo, nomeadamente, através da internet.

               Ainda segundo João Maria André (Op. Cit.), “a informática é hoje a mais plena realização do dualismo cartesiano (...): entre a “res cogitans” e a “res extensa” haveria um abismo e, se se aceita que o homem se afirma essencialmente pelo exercício da ”res cogitans”, em nenhuma realização esse exercício se encontra melhor consubstanciado que na informatização crescente da sociedade atual: é através da comunicação eletrónica que o pensamento mais circula independentemente ou mesmo à revelia do sujeito corpóreo da mensagem em circulação.”

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:53

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