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    Foram recentemente editadas pela Relógio D’Água três obras do filósofo de origem Sul Coreana, Byung-Chul Han: A Agonia de Eros, A Sociedade do Cansaço e A Sociedade da Transparência.

   Na última destas três obras, Byung-Chul Han discorre sobre a sociedade contemporânea para a qualificar como uma sociedade da “transparência”, como, de resto, é sugerido pelo título.

   Contrariamente ao carácter benigno com que o senso comum e a opinião pública normalmente perspetivam a ideia de transparência, associando-a ao combate à corrupção e à liberdade, de acordo com Byung-Chul Han, “a obsessão com a transparência manifesta-se não quando se procura a confiança, mas precisamente quando esta desapareceu e a sociedade aposta na vigilância e no controlo”.

   O filósofo Sul Coreano procede a uma leitura da nossa sociedade análoga à de Michel Foucault (Vigiar e Punir), para quem a construção da prisão se tornou parte de um mais vasto sistema carcerário na sociedade moderna, compreendendo escolas, instituições militares, hospitais e fábricas, materializando assim uma sociedade panótica. Com efeito, para Foucault o panótico de Jeremy Bentham constitui a imagem que melhor captura a estrutura da nossa sociedade e do poder. O panótico permite a vigilância invisível de um vasto número de pessoas por um pequeno número.

   Também para Byung-Chul Han, empresas como o Google assim como as diferentes redes sociais tendem a converter-se num grande panótico, a penitenciária imaginada por Jeremy Bentham no século XVIII, onde o vigilante pode observar a partir de um ponto central os prisioneiros isolados sem por eles ser visto.

   Ao invés de se apresentarem como espaço de liberdade, o Google e as diferentes redes sociais transformam a atual sociedade num "panótico digital", onde os seus habitantes tendem a sujeitar-se à “transparência”. Curiosamente, esta vigilância não surge como ataque à liberdade, uma vez que cada qual se lhe entrega voluntariamente.

 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 16:18

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