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Jun 15

          

                Desde Aristóteles que a racionalidade é considerada a propriedade moralmente relevante. Segundo o filósofo, é propósito do inferior servir o superior. Sendo assim, como os seres racionais são superiores aos irracionais, cabe a estes últimos o propósito de servir o Homem, enquanto animal racional.

                Seguindo a mesma linha de orientação, S. Tomás de Aquino postula que o homem, enquanto criatura racional, é o único ser a possuir valor intrínseco, enquanto os outros animais (não humanos) carentes de razão, possuem apenas um valor instrumental.

                Não pertencendo ao “reino dos fins”, como dirá Kant, os animais não humanos constituem-se como meros meios para servir os superiores interesses dos homens, dado que os animais não humanos carecem de racionalidade, a capacidade de raciocinar e de deliberar. Por isso, os animais não humanos não são agentes morais, não possuem estatuto moral.

                Acresce a este critério da racionalidade, o fundamento religioso (cristianismo) do domínio humano sobre os restantes animais não humanos.

               “No antigo testamento – escreve Ricardo Miguel em A Razão à Mesa – depois do criador dar origem ao céu, à terra, à luz e a todos os animais não humanos, surge a premissa que serve de base ao domínio humano sobre as restantes criaturas:

                Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele domine os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam a terra”.

                Em A Razão à Mesa – o Especismo na Alimentação Humana Padrão – Esfera do Caos, Ricardo Miguel discorre, numa perspetiva crítica, sobre o principal critério que sustenta a dominação humana sobre as restantes criaturas, o critério da razão.

                Afinal de contas, a mesma “razão” que torna possível “a alimentação humana padrão”, impede-nos, por exemplo, de comer os nossos animais de estimação:

              “Quando se considera a hipótese de alguém se alimentar da carne de um animal tipicamente de estimação, a moralidade (…) vem ao de cima”. Assim principiam, segundo Ricardo Miguel, as inconsistências ou incoerências da tese da amoralidade da alimentação. Como sustenta:

              “Alguém que tem um animal de estimação muito provavelmente terá preocupações morais com ele sem as ter com outros animais muito semelhantes pelo simples facto de não serem o seu animal de estimação. (…)

              As crianças podem gostar muito de ter animais por perto e os adultos por vezes não conseguem resistir aos pedidos delas para os ter lá por casa. Os coelhos são um exemplo de uma espécie de animais que as crianças gostam de ter. Mas porque lhes é dado um nome e uma casota, estes coelhos particulares merecem estar fora dos pratos, enquanto que os que se compram no talho ou no supermercado já não.”

                Afinal, como pensar a razão humana?

                Como o muro atrás do qual a humanidade fundamenta a sua dominação cruel sobre as outras criaturas viventes ou devemos pensar a razão como uma ponte entre todos os seres irmanados pela capacidade de sentirem dor e prazer?

 Poderá ler:

Os Animais Têm Direitos?

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:15

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