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06
Abr 14

RODIN, A Catedral

Falar de amor é também falar da mão que acaricia e que toca, descobrindo que a superfície é o limiar de uma profundeza que permanece inacessível.

Como definir a mão?

De acordo com alguns autores, como Cuvier, “o que constitui a mão é a faculdade de opor o polegar aos outros dedos para agarrar as coisas mais ínfimas”. Será, de resto, esta característica peculiar que está na base do processo de hominização, conduzindo o hominídeo da preensão à compreensão, do Homo Faber ao Homo Sapiens.

No entanto, uma tal definição de mão está longe de consenso, dado que não permite distinguir rigorosamente a mão do pé, como revelam os numerosos exemplos de mutilados capazes de fazer das extremidades dos seus membros inferiores verdadeiros órgãos de preensão.

A definição proposta por Isidore Geoffroy Saint-Hilaire pretende superar esta dificuldade, defendendo que “a mão é uma extremidade provida de dedos alongados, profundamente separados, muito móveis, muito flexíveis e, por isso, suscetíveis de agarrar”.

Porém, esta última proposta de delimitar as fronteiras do que é a mão não é isenta, igualmente, de dificuldades, dado que uma tal definição se adequa, também, aos pés dos papagaios ou aos dos camaleões.

Paul Broca propõe, finalmente, a seguinte saída para o impasse na distinção da mão do pé: “a mão pode chegar a todos os pontos da superfície do corpo e constitui o instrumento, por excelência, do toque, da preensão e do trabalho. O homem, sendo o único mamífero absolutamente bípede, é também o único cuja mão é perfeita”.

Broca parece aproximar-se da posição defendida por Aristóteles. Com efeito, longe de ser um ser fraco e desvalido, um ser que permanece nu e desamparado até receber do céu o fogo, como defende Platão, o homem é, para Aristóteles, o melhor apetrechado de todos os seres vivos, precisamente porque possui uma mão.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:42

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