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Out 13

Demócrito, "o filósofo que ri"

 

Por que motivo se ri, de um modo interminável, Demócrito?

A situação torna-se preocupante.

Estará louco?

O seu riso ameaça a coesão da cidade e perturba a paz coletiva.

Torna-se urgente fazer alguma coisa.

Os habitantes de Abdera chamam ao seu leito o grande médico, Hipócrates.

O filósofo não cessa de rir. Ri de tudo: dos lutos, das desgraças alheias, dos dramas e misérias …

Após longo e detalhado exame, o terapeuta da ilha de Cós conclui o diagnóstico:

“Não é loucura. É o vigor excessivo da alma que se manifesta neste homem”.

Excesso de sabedoria, eis do que padece Demócrito.

Sabedoria que confronta com a ignorância e os preconceitos dos seus concidadãos.

A sua sabedoria fá-lo acreditar na conceção materialista do universo. 

Átomos e vazio, eis a essência de tudo quanto existe.

Desta forma, o filósofo opõe-se à hipótese de qualquer realidade transcendente mensageira de um sentido e de um significado para o homem e para este mundo.

Assim, face ao sem-sentido, ao absurdo de um universo e de uma existência humana, ao verdadeiro sábio materialista não resta outra atitude senão desatar a rir, como quem, na presença de uma comédia ou, mesmo, de um drama, ri desalmadamente.

Eis como o riso se vê convertido numa arma, na única via capaz de expurgar a angústia a que os seres humanos estão irremediavelmente condenados num universo absurdo.

É necessário imaginar Sísifo feliz – dirá Camus, anos mais tarde.   

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:03

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