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28
Set 13

Sono, Salvador Dali

 

Erich Fromm confronta no seu ensaio Ter ou Ser?  duas formas ou modos de existência antagónicos.

De um lado, o modo Ser de existência; do outro, o modo Ter.

Tal não significa que ter seja patológico.

Afinal, como refere o autor, o homem sempre teve alguma coisa e viver sem possuir qualquer coisa é totalmente impossível.

O problema reside numa certa alienação inconsciente.

Assim, por exemplo, quando certo paciente diz ao médico ou ao psicanalista: “Doutor, tenho um problema, tenho insónias, e apesar de ter uma boa casa, tenho muitas preocupações”, o seu discurso denota um predominante grau de alienação.

Com efeito, ninguém tem um problema, como quem tem um relógio ou uma caneta.

Um problema não é um objeto que se possa ter.

O discurso mais apropriado seria referir ao psicanalista que “está preocupado”.

Analogamente, ninguém tem insónias, simplesmente “não consegue dormir”.

Poderá parecer insignificante mas ao referir que “tem um problema”, o paciente elimina a experiência subjetiva e transforma o seu sentimento em qualquer coisa que possui.

Do mesmo modo, uma insónia não é uma sensação física que se possa ter como uma dor de dentes ou uma faringite. A insónia é um estado de espírito.

Este estilo de discurso é recente e exemplifica, segundo Fromm, o modo Ter de existência.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:33

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