Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

09
Set 13

Salvador Dalí, A Persistência da Memória

 

 Eis que ele chegou, o nono mês do ano no calendário gregoriano, com a duração de 30 dias.

Deve o seu nome à palavra latina septem – sete – e era o sétimo no calendário romano, que tinha a particularidade de começar em Março.

Eis-nos chegados a Setembro e, com ele, chega em breve o outono no Hemisfério Norte.

É o tempo de a natureza se "despir", num movimento circular de eterno retorno ao mesmo.

Mas afinal, o que é o tempo? Como defini-lo?

Divisão da duração, momento?

Duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro?

Período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem?

Certo período da vida?

Se ninguém me perguntar, eu sei – dizia Sto. Agostinho. Porém, se me perguntarem e eu quiser explicar, deixo de saber.

Trata-se, por isso, de uma realidade misteriosa.

Ninguém o pode agarrar – refere André Comte-Sponville – porque ele não para de fugir.

Se parasse um instante, tudo pararia, e deixaria de haver tempo.

Mas também não haveria mais nada.

Deixaria de haver movimento e repouso.

Sem o tempo, deixaria de haver presente.

Como poderia haver alguma coisa? interroga-se Comte-Sponville.

Com efeito, para podermos experienciar qualquer facto, para o podermos apreender, conhecer, temos necessidade do tempo que funciona, como explica Kant, como condição a priori de todos os fenómenos.

D. Sebastião morreu.

Quando? Onde?

Em 4 de Agosto de 1578, para os lados de Alcácer-Quibir, tendo deixado um reino sem coroa e à deriva.

Espaço e Tempo são as condições de captarmos e configurarmos a realidade.

São as duas "formas a priori da sensibilidade", para usar a terminologia kantiana.

Por isso, o tempo é, para nós, o horizonte do ser.

Ser é ser no tempo.

“Tudo volta ao nada. Tudo perece. Tudo passa. Só há o mundo que fica. Só há o tempo que dura”, reflete Diderot.

Mas a pergunta inicial persiste: o que é o tempo afinal, que só passa na condição de permanecer, que só permanece na condição de se escoar?

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:57

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