Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

03
Set 13

Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazi

Como faz notar Pedro Laín Entralgo, uma das notas especificamente humanas que podemos discernir no desempenho da sua conduta e que mostram que o ser humano é qualitativa e essencialmente distinto do animal é a linguagem.

Somos seres dotados de linguagem. A voz humana é o veículo privilegiado de valores que ultrapassam a simples sensibilidade individual e que possibilitam a organização de uma vida em comum.

Por isso, para Aristóteles a linguagem é atravessada pela dimensão política.

Quando configurada em discurso, a linguagem pode servir para informar, exprimir sentimentos e emoções assim como para convencer ou persuadir. Neste sentido, podem distinguir-se o discurso informativo, essencialmente centrado no objeto, o discurso expressivo, centrado no sujeito e o discurso argumentativo ou persuasivo.

Sem desprimor pelas restantes formas discursivas, o discurso argumentativo revela-se fundamental na configuração da experiência convivencial.

Alguns autores – Michel Meyer, Questões de Retórica – salientam a sua importância e o seu papel referindo que “a retórica renasce sempre que as ideologias se desmoronam. Aquilo que era objeto de certeza torna-se então problemático e é submetido à discussão”.

Vemos aqui a articulação da argumentação e da retórica com a democracia.

Não significa isto que nos sistemas políticos não democráticos não exista argumentação e retórica.

Todavia, nestes sistemas o uso da retórica é essencialmente exercido no sentido da manipulação.

Wayne Brockriede – Arguers as Lovers – servindo-se de uma metáfora sexual, distingue, em termos de argumentação, entre o violador, o sedutor e o amante.

Em relação à atitude, o violador não se interessa pelo assentimento. Interessa-se pelo poder.

Analogamente ao violador, na manipulação há uma relação unilateral entre os participantes.

O interlocutor é visto como uma presa a ser manipulada, como um ser inferior, como um objeto.

Porém, argumentação e retórica não são intrinsecamente manipuladoras.

Como sustenta Michel Meyer – op. cit. – o seu uso é que pode ser diferenciado.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 01:08

"NOW, IN OUR TIME, philosophy or religion, our theory, that is, about ultimate things, has been driven out, more or less simultaneously, from two fields which it used to occupy. General ideals used to dominate literature. They have been driven out by the cry of "art for art's sake." General ideals used to dominate politics. They have been driven out by the cry of "efficiency," which may roughly be translated as "politics for politics' sake." Persistently for the last twenty years the ideals of order or liberty have dwindled in our books; the ambitions of wit and eloquence have dwindled in our parliaments. Literature has purposely become less political; politics have purposely become less literary. General theories of the relation of things have thus been extruded from both; and we are in a position to ask, "What have we gained or lost by this extrusion? Is literature better, is politics better, for having discarded the moralist and the philosopher?""

G.K. Chesterton: "Heretics"
Paulo Ribeiro a 4 de Setembro de 2013 às 17:41

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