Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

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Jul 13

É comum dizer-se de algumas vidas que “davam um filme”.

Parece ser o caso da vida de João Manuel Serra, o Senhor do Adeus.

Ficou conhecido por cumprimentar toda a gente que passava na zona do Saldanha.

Amante do cinema, o Senhor do Adeus “partiu” no ano de 2010, aos 79 anos de idade, numa viagem sem retorno.

Na sua última "viagem", não foram poucos os que fizeram questão de marcar presença para lhe acenar e bater palmas.

Louco, para uns, o Senhor do Adeus padecia, tão só, de Solidão.

Para a afugentar, "essa senhora malvada, que me persegue por entre as paredes vazias da casa, para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente", disse.

"Venho para a Praça Duque de Saldanha desde que fiquei nas mãos de não ter ninguém. A vida dá estranhas voltas, o meu destino é acenar a quem me cumprimenta. Estou sujeito a que me chamem maluco, mas não me importo. Da minha solidão sei eu".

Afinal, o Senhor do Adeus não era louco.

Sofria, loucamente, de solidão.

A solidão constitui condição existencial ordinária comum a todos – como refere André Comte-Sponville – não por não termos relações com os outros, mas porque essas relações não podem abolir, de todo, a nossa solidão essencial, que decorre do facto de sermos os únicos a sermos o que somos e a viver o que vivemos.

Nisso, o amor e a morte aproximam-se: ninguém pode amar ou morrer por nós.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 16:04

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