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Jun 13

A psicanálise não reúne consenso sobre o seu estatuto, havendo mesmo quem questione a sua cientificidade. Tal é o caso de Popper.

     Deixando de lado a problemática da demarcação entre ciência e pseudociência, a psicanálise pode ser considerada uma corrente inovadora e revolucionária no modo de conceber o comportamento e a mente humana.

     Bruno Bettelheim foi considerado um dos mais notáveis psiquiatras na área das perturbações mentais infantis. Radicou-se nos Estados Unidos em 1939, depois de ter passado um ano nos campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

     Adotando uma metodologia na linha da psicanálise, Bettelheim revela-nos Em Psicanálise dos Contos de Fadas que, apesar de os contos de fadas terem sido criados muito antes do aparecimento da moderna sociedade de massas, podemos aprender muitas coisas com esses contos, nomeadamente acerca dos problemas interiores dos seres humanos.

     

     São suas, as seguintes palavras extraídas da referida obra:

    

     "O conto de Fadas O Príncipe Sapo – por exemplo – começa com a mais jovem das princesas a brincar com uma bola dourada perto de um poço. Esta cai no poço e a menina fica tristíssima. Aparece então um sapo que pergunta à princesa a que é devido o seu desgosto. Ele oferece-se para restituir a bola dourada à princesa desde que ela o aceite como companheiro, que se sentará ao pé dela, beberá do seu copo, comerá do seu prato e dormirá com ela na cama. Ela promete que sim, pensando no fundo dela própria que nenhum sapo poderia jamais ser companheiro de uma pessoa. O sapo traz-lhe então a bola dourada. Quando pede à princesa que o leve consigo para casa, ela foge e depressa esquece o sapo (...)."

     

      Como interpretar este conto à luz da psicanálise?

               

     A bola representa uma psique narcisística. Assim que a bola cai no poço, perdeu-se a ingenuidade.

     Apegada ao princípio do prazer, a menina faz promessas para obter o que quer. Porém, a realidade acaba por se impor.

     A caminhada em direção à intimidade com outrem é exposta: primeiro, a menina está só a brincar com a bola. O sapo mete conversa com ela. Depois vem visitá-la. Quanto mais o sapo se aproxima fisicamente mais enojada e angustiada ela fica, especialmente quando ele lhe toca.

     O despertar para a "vida íntima" não está livre de nojo e angústia.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:58

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