Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

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Jun 09

O modo de pensar de Epicteto, filósofo do estoicismo a que se fez breve alusão no post anterior, traduz a convicção de que tudo na vida está pré-determinado. Tal convicção encontra na concepção física o seu fundamento. Ao conceber o mundo ou a natureza à imagem de um grande ser vivo, cujos órgãos são os diferentes seres, o estoicismo encara o homem como um mero elemento desse ser vivo que é o mundo não lhe restando, como tal, outra alternativa senão a submissão a um destino fatal e necessário. Por esta ordem de ideias, só há um caminho para a felicidade e imperturbabilidade: viver em conformidade com as leis inexoráveis da natureza.

É sabido que o determinismo encontra ao longo da história do pensamento vários defensores, o mesmo se podendo afirmar, diga-se, da tese do livre arbítrio.

Qualquer tese, determinismo ou livre arbítrio, pode ser fundamentada e defendida.

Mas há um argumento de peso contra o determinismo, nomeadamente o de Epicteto: o progresso e a evolução, nomeadamente ao nível dos valores, seria algo impensável e mesmo impraticável.  

Com o destino marcado pela lei Hindu, por exemplo, uma rapariga da casta intocável não pode (nem poderia nunca) pensar em fazer outra coisa senão trabalhar ao longo do rio Yamuna. Os membros desta casta de lavadores de roupa que tratam dos objectos "conspurcados" por sangue ou dejectos humanos nunca poderiam sonhar sequer em deixar de desempenhar tal papel social, pré-determinado, no caso concreto, por motivos de natureza religiosa

Por tal, somos levados a concluir pela rejeição do determinismo, tal como o entende Epicteto. 

Porém, significa isto que estamos condenados a ser livres?

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:59

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