Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

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Mai 09

Depois, um astrónomo disse: e a propósito do Tempo, mestre?

E ele respondeu:

Gostaríeis de medir o tempo infinito e incomensurável.

Gostaríeis de conjugar a vossa conduta e mesmo de dirigir o rumo da vossa alma segundo as horas e as estações.

E gostaríeis de reduzir o tempo a um regato, e na sua margem vos sentardes a vê-lo correr.

 

Entretanto, o que vos escapa do tempo está consciente da intemporalidade da vida

e sabe que o hoje não é senão a lembrança do ontem, e o amanhã o sonho de hoje;

e sabe que aquele que canta e contempla em vós habita ainda nos limites desse primeiro instante que dispersou os astros pelo espaço.

Quem, entre vós, não sente que o seu poder de amar não tem limites?

E, contudo, quem é que não sente que esse mesmo amor, embora ilimitado e fechado no centro do seu ser, não procede de uma ideia de amor para outra ideia de amor, e de uma proeza de amor para outra proeza de amor?

E não é o tempo, tal como o amor, indivisível e imóvel

Mas se quereis, em pensamento, medir o tempo pelas estações, fazei que cada estação abrace todas as outras, 

e que o dia de hoje abrace o passado com saudade e o futuro com nostalgia.

GIBRAN, Kahlil, O Profeta, Livros de bolso Europa-América

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:07

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