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Mar 09

A humanidade é plural no sentido em que é sexuada. Mas tal pluralidade, longe de instituir a discórdia, pode converter-se em princípio de harmonia.

Parafraseando Heraclito, pai da filosofia do devir, “a estrada que sobe e desce é uma e a mesma” ou “os contrários concordam e a bela harmonia nasce do que difere. Tudo nasce da luta”. Na circunferência, por exemplo, “o princípio e o fim coincidem”; ou ainda, a beleza de uma pintura reside no contraste das cores, etc.
Complementaridade parece ser o conceito que melhor expressa a pluralidade da humanidade. É nesse sentido que Aristófanes, o comediante grego, refere um mito em O Banquete de Platão para explicar a natureza humana:
“Na sua origem, a humanidade compreendia três sexos: os homens, as mulheres e uns seres estranhos chamados andróginos, que eram, simultaneamente, machos e fêmeas. Todos esses indivíduos eram duplos, em relação ao que hoje somos: tinham quatro pernas, quatro braços, quatro olhos e cada um tinha dois órgãos genitais, ambos masculinos nos homens, ambos femininos, nas mulheres e um masculino e um feminino, nos andróginos.
Eram dotados de um orgulho desmedido, a ponto de desafiarem os deuses. Zeus estava indignado com a insolência dos humanos. Um dia decide castigá-los, dividindo-os em dois: cada um passaria a ter apenas duas pernas e um órgão genital. Com isto, os humanos sentiram-se infelizes porque lhes faltava a outra metade. Então, os semi-homens procuravam os semi-homens, as semi-mulheres desejavam as semi-mulheres e a metade masculina dos andróginos procurava desesperadamente a metade feminina.”
Em suma, para reencontrarem a felicidade perdida, cada um deles desejava intensamente reunir-se à sua alma gémea. E este desejo tem um nome: é o amor.
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:10

Março 2009
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