Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

17
Nov 08

Quando o amor domina

Um dos lugares da alta sociedade, em Étretat, era a pastelaria Lecoeur. Um dia entrou uma jovem desconhecida. Só pela sua aparição, pareceu-me que a cor do dia, e até a qualidade do ar, se transformava. Alta, esguia, reflexos dourados no cabelo e nos olhos, a tez rosada, os lábios tão cintilantes como a polpa de um fruto, aquela rapariga irradiava saúde, vida e alegria. Eu nunca tinha visto nada igual. Uma fada.

Desde então, só tinha uma ideia fixa: voltar a vê-la. Durante vários dias fui instalar-me na pastelaria. Não saía de lá. Hospedei-me lá. Passava os meus dias à espera dela. De olhar fixo na porta, comia bolos lentamente, cada vez mais lentamente, em pequeninas bocadas, migalha a migalha, para os fazer durar, a cada um, o máximo de tempo possível. Um palmier. Um éclair. Um friand. Outro éclair. Uma tarte. Um chou. Mais um palmier. Sentia náuseas. Raiava a indigestão. Mas por nada deste mundo sairia da pastelaria. Ai de mim! Ela não voltou. Uma vez, de longe, avistei-a na rua. E mais nada. Tinha-se ido embora. Não sabia quem ela era nem onde vivia. Tudo o que sabia dela era o nome: Odile.

 

JACOB, François, A Estátua Interior

 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 21:29

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