Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

06
Fev 09

      

 

... pelos direitos humanos de meninas e mulheres em todo o mundo é

preciso fazer face, eliminar, abandonar, prevenir, desencorajar e pôr fim

à mutilação genital feminina.

 


Comemora-se hoje, dia 6 de Fevereiro, o dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Todos os anos, são vítimas desta prática hedionda cerca de 2 milhões de meninas. Desde bebés com poucos meses de vida até jovens de 20 anos são submetidas a esta tradição, embora a maioria das excisões ocorra em jovens entre os 12 e 14 anos. É no continente africano que a MGF predomina.

Uns legitimam esta prática em nome da perpetuação da tradição cultural; outros opõem-se àquilo a que chamam de barbaridade contra as mulheres. Trata-se de uma violação dos direitos das crianças e, por sua vez, dos direitos humanos. As consequências quer físicas, quer psicológicas são abomináveis, desde infecções devido ao uso de objectos ferrugentos, inapropriados, hemorragias até memo a morte.

Será que podemos ser toleráveis com estas práticas …. ditas culturais?

O facto de cada sociedade ou cultura histórica ter os seus valores, os seus costumes e rituais, não invalida a possibilidade de haver valores éticos fundamentais onde não podem caber relativismos ou fundamentalismos. A vida, a dignidade humana, a justiça, os bens primários devem ser interculturais, ou seja, princípios inquestionáveis em qualquer tempo e em qualquer lugar. Foi em prol do progresso moral, que a escravatura de outros tempos ou a submissão das mulheres em relação aos homens foram condenadas e extinguidas em certas culturas.

Aceitar, respeitar e tolerar que cada cultura avalie a moralidade das suas práticas sociais, como a mutilação genital feminina, a partir do seu contexto cultural, é permitir que as mesmas transgridam consciente e intencionalmente, as fronteiras daquilo que é tolerável. A urgência de valores concretos, universais, comuns é cada vez mais sentida, mesmo que a sua manifestação possa ser de acordo com as diferentes culturas. O importante é que eles existam e que, efectivamente, estejam presentes em cada acção que realizamos.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:45

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