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28
Abr 14
Grua de filmagem, projeção do braço e da vista

De acordo com George Frankl (Os Fundamentos da Moralidade) “se tentarmos formular um princípio básico sobre o qual pode basear-se a fabricação de utensílios, esse princípio é o da exteriorização”.

A exteriorização constitui uma característica fundamental do homem em exteriorizar os seus processos mentais, reproduzindo-os no exterior de si próprio.

No século XIX Ernst Kapp, pioneiro da Filosofia da Técnica (Fundações de Uma Filosofia da Técnica) apresenta uma tese análoga à do filósofo e psicanalista George Frankl.

Para Kapp, “os primeiros utensílios foram apenas o prolongamento, o aumento da força e da precisão dos órgãos do corpo humano, e principalmente da mão” (Jean Brun, A Mão e o Espírito).

Neste sentido, podemos dizer que a “mão é o utensílio natural cuja ação cria o utensílio artificial, os utensílios” (Ernst Kapp, Op. Cit.).

Assim, toda a invenção é uma “projeção orgânica”.

Não faltam exemplos desta suposta projeção orgânica: a pedra munida de um cabo de madeira é a imitação mais simples desse martelo natural constituído pelo punho e pelo antebraço. O dedo dobrado deu origem ao gancho. Da cova da mão nasceu o copo. Na espada, na lança, no remo, na enxada, na pá, na charrua ou no forcado, reencontramos as múltiplas posições do braço, da mão e dos dedos.

Seguindo a linha de pensamento de A. Schopenhauer, O Mundo Como Vontade e como Representação, se o organismo é uma objetivação da Vontade e se toda a invenção e toda a técnica é uma imitação, uma projeção e um prolongamento dos órgãos do corpo humano e, em especial, da mão, então somos conduzidos a aceitar a tese segundo a qual a técnica também é, num segundo plano, a objetivação dessa mesma Vontade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:35

06
Abr 14

RODIN, A Catedral

Falar de amor é também falar da mão que acaricia e que toca, descobrindo que a superfície é o limiar de uma profundeza que permanece inacessível.

Como definir a mão?

De acordo com alguns autores, como Cuvier, “o que constitui a mão é a faculdade de opor o polegar aos outros dedos para agarrar as coisas mais ínfimas”. Será, de resto, esta característica peculiar que está na base do processo de hominização, conduzindo o hominídeo da preensão à compreensão, do Homo Faber ao Homo Sapiens.

No entanto, uma tal definição de mão está longe de consenso, dado que não permite distinguir rigorosamente a mão do pé, como revelam os numerosos exemplos de mutilados capazes de fazer das extremidades dos seus membros inferiores verdadeiros órgãos de preensão.

A definição proposta por Isidore Geoffroy Saint-Hilaire pretende superar esta dificuldade, defendendo que “a mão é uma extremidade provida de dedos alongados, profundamente separados, muito móveis, muito flexíveis e, por isso, suscetíveis de agarrar”.

Porém, esta última proposta de delimitar as fronteiras do que é a mão não é isenta, igualmente, de dificuldades, dado que uma tal definição se adequa, também, aos pés dos papagaios ou aos dos camaleões.

Paul Broca propõe, finalmente, a seguinte saída para o impasse na distinção da mão do pé: “a mão pode chegar a todos os pontos da superfície do corpo e constitui o instrumento, por excelência, do toque, da preensão e do trabalho. O homem, sendo o único mamífero absolutamente bípede, é também o único cuja mão é perfeita”.

Broca parece aproximar-se da posição defendida por Aristóteles. Com efeito, longe de ser um ser fraco e desvalido, um ser que permanece nu e desamparado até receber do céu o fogo, como defende Platão, o homem é, para Aristóteles, o melhor apetrechado de todos os seres vivos, precisamente porque possui uma mão.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:42

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