Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

30
Jan 09

Não surpreende que após os atentados às torres gémeas do World Trade Center, no fatídico 11 de Setembro de 2001 e sob o “olhar” atento da Estátua da Liberdade, o debate clássico em torno da oposição entre a segurança e a liberdade renasça no discurso político da actualidade.
Erguendo-se como exemplo paradigmático de uma polarização de valores, a humanidade enfrenta, hoje, o dilema mais liberdade e, por conseguinte, menos segurança, ou mais segurança sacrificando a liberdade.
A segunda via parece prevalecer na política actual, o que legitima os receios que um crescente autoritarismo, em nome da segurança, possa ter na liberdade dos cidadãos e nas práticas democráticas dos estados.

Sob a temática do "Terrorismo e Liberdade", realiza-se, nos próximos dias 27 e 28 de Fevereiro, o 23.º Encontro de Filosofia. VER PROGRAMA

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:52

29
Jan 09

"O Homem é um animal político".  A célebre frase de Aristóteles pretende significar que o homem só se realiza plenamente no interior de uma comunidade. O que equivale a dizer que é um animal social, uma vez que a solidão só é suportável por um ser superior ou, então, sub-humano, embora a experiência convivencial seja paradoxal, na medida em que pode ser uma experiência de união e cooperação como de separação e violência.

A justificação que Aristóteles encontra para fundamentar a sua tese parece radicar no facto de o homem ser dotado de uma linguagem. Se é certo que os gritos dos animais são a expressão vocal de paixões, a voz humana é o veículo de valores, expressão de racionalidade. 

Ora, é precisamente esse conteúdo axiológico que permite a vida em sociedade. De facto, nos homens há a percepção do bem e do mal,  do justo e do injusto, do verdadeiro e do falso e são tais noções em comum que possibilitam a sociabilidade. Assim, a linguagem é atravessada pela dimensão política.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:28

28
Jan 09

"Todo o ser capaz de viver isoladamente, ou é um Deus ou uma besta, mas não um ser humano".  Com estas palavras contundentes Aristóteles pretendia exprimir a natureza social do homem.

Com efeito, o homem isolado é uma abstracção e somente a comunidade permite realizar a perfeição da humanidade. Em suma, viver é "com-viver". 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:13

27
Jan 09

Como devemos viver? Por que valores devemos orientar a nossa vida? Estas são algumas questões de natureza ética.

A ética encontra na moral um termo próximo, embora distintos. Têm em comum o mesmo significado etimológico: costumes. Divergem no essencial no facto de uma ter um carácter mais prático enquanto a outra mais teórico. A primeira é a moral e a segunda a ética.

O problema do que fazer em cada situação concreta é um problema prático-moral. Ao contrário, definir o que é o bem é um problema geral de carácter teórico, ético, portanto. A ética constitui uma reflexão acerca dos princípios que devem orientar a acção humana e responde à questão "o que dá sentido à existência humana?". A moral possui um significado mais exterior, referindo-se ao conjunto de normas ou de códigos do bem e do mal e responde à questão "o que devo fazer em tal situação?".

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:55

26
Jan 09

(Grupo de Intocáveis recebendo alimentos de caridade)

É sabido que as crenças fazem parte do nosso quotidiano. Podemos mesmo dizer que é impossível viver sem crenças e que todo o conhecimento é composto por crenças. 

Torna-se imperioso, no entanto, analisar os nossos conhecimentos no sentido de averiguar os seus fundamentos. Cabe à racionalidade esta tarefa crucial de distinguir as crenças verdadeiras justificadas das que apenas não passam de simples crenças, injustificadas, e que apenas servem para fundamentar e perpetuar práticas desumanas e atentatórias da dignidade humana.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:41

25
Jan 09

De como as crenças e valores - religiosos, neste particular -  e a cultura em geral, condicionam e determinam a nossa acção:

O Hinduísmo defende a crença na transmigração das almas. A alma depois de morta passa a uma forma de vida superior ou inferior, segundo o comportamento da pessoa durante a sua existência. As reencarnações da alma, ou metempsicose, terminam quando se alcança uma forma de vida tão elevada que se chega já ao estado de união com a alma universal (Brama). As ideias de metempsicose influenciaram algumas teorias filosóficas gregas  (Pitágoras, Platão).

Como consequência da crença na transmigração das almas, o hinduísmo tem um sistema de castas que classifica os homens em estritos agrupamentos de categorias. O prémio e o castigo para as boas e más acções implicam que a pessoa renasça numa existência melhor ou pior, no caminho em direcção à fusão com Brama. O respeito pela vida em todas as suas formas reside na crença de que mesmo o bicho menor pode ter sido um homem.

(Reler: Fédon, de Platão)

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 16:35

24
Jan 09

É comum considerarem-se os valores como bússola orientadora da prática humana. Tal perspectiva axiológica considera que são os valores que determinam a acção e não o inverso o que, em certo sentido, pressupõe uma concepção objectivista dos valores pois atribui-lhes um carácter ontológico, cabendo ao homem a simples tarefa de os reconhecer. Esta maneira de os encarar, aproxima os valores do carácter absoluto, imutável e incondicionado. 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 12:31

22
Jan 09

Os éticos contemporâneos costumam dividir as teorias da obrigação moral em dois géneros: deontológicas e teleológicas.

Uma teoria da obrigação moral recebe o nome de deontológica  (do grego déon, dever) quando a obrigatoriedade de uma acção não se faz depender exclusivamente das consequências da dita acção ou da norma a que se ajusta. 

Chama-se teleológica (de télos, em grego, fim) quando a obrigatoriedade de uma acção deriva somente das suas consequências.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:56

 «Ensaio sobre a Cegueira»

 

Um filme perturbador que denuncia a manipulação, a miséria e a precaridade das sociedades contemporâneas.

É o caos urbano que se instala e que força a sobrevivência física, mas também  a sobrevivência da dignidade humana. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.

 

 Um filme de Fernando Meirelles, baseado no romance de José Saramago.

 

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:55

bu00472.jpg Um livro a ler ...

 Após ter vivido durante algum tempo na aldeia de Tiavéa, pertencente ao grupo de Samoa que, por sua vez, faz parte integrante da ilhota de Upolu, e convivido  de perto com o chefe da tribo mais importante, de nome Tuiavii,  Erich Scheurmann editou um livro intitulado “Papalagui” onde deu a conhecer as notas tiradas por   Tuiavii  quando este, visitou por vontade própria todos os países europeus, adquirindo desta forma conhecimentos precisos sobre o modo de vida e cultura destes países. Tuiavii tinha um apurado  dom de observação que era sempre neutral e isenta de preconceitos. Nada o faria cegar, nem afastar-se da realidade.

Este é um livro revelador, que nos faz pensar sobre as nossas reais necessidades e naquilo que queremos fazer com o «nosso tempo». 


Ao ouvir o barulho da máquina do tempo, queixa-se o Papalagui assim: « Que pesado fardo; mais uma hora que se passou!» E, ao dizê-lo, mostra geralmente um ar triste (…) Como nunca fui capaz de entender isto, julgo que se trata de uma doença grave. «O tempo escapa-se-me por entre os dedos» (…) «Dá-me um pouco mais de tempo!» - tais são os queixumes do homem branco. (…) o homem branco tem vontade de fazer qualquer coisa e o seu coração arde por isso: que por exemplo, apetece-lhe ir deitar-se ao sol, ou andar de canoa no rio, ou ir ver a sua bem amada. Que faz ele então? Na maior parte das vezes estraga o prazer com esta ideia fixa: «não tenho tempo de ser feliz».  Dispondo de todo o tempo que queira, nem com a melhor boa vontade o reconhece.” 

O Papalagui - discursos de tuiavii, chefe de tribo de tiavéa nos mares do sul, Antígona

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:41

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