Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

21
Jun 17

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Para os casais que querem mas não podem ter filhos resta sempre a possibilidade de adoção ou de fecundação in vitro. Adotar uma criança pode ser uma solução, quer para esses casais, quer para as crianças que foram abandonadas e/ou retiradas aos seus progenitores por maus tratos, pobreza extrema, educação deficitária ou outro motivo previsto na lei. A fecundação in vitro também é uma solução viável para esses casais desesperados.

Porém, nem sempre tudo corre como o previsto. O exemplo real que se segue reporta-se à fecundação in vitro e retrata problemas morais complexos, como o caso de M. António Hernández, do Chile.

Hernández enriqueceu com o cobre. Tem um filho, Juan, do primeiro casamento. Casa-se em segundas núpcias com Conchita. Queriam ter filhos, mas como os dois se deparam com problemas insolúveis, viajam para Melbourne. Extraem-se óvulos de Conchita; um doador de esperma é convocado com a máxima discrição: dá-se a fecundação in vitro. Sucesso. Congelamento dos embriões.

Todavia, antes de ser realizada a implantação, Hernández e Conchita morrem num acidente de avião. Questiona-se: o que fazer com os embriões congelados? Deixá-los morrer? Implantá-los? Em quem? Quais serão os direitos da mãe de aluguer sobre a criança? E, depois, quem será herdeiro da fortuna de Hernandéz? Juan? O primeiro filho ou os filhos nascidos por incubação?    

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 02:29

18
Mar 17

O psicólogo norte-americano Stanley Milgram

Mais de meio século depois, a controversa experiência do psicólogo norte-americano Stanley Milgram continua a ter os mesmos resultados. A maioria dos participantes tende a fazer sofrer outras pessoas para não desobedecer às autoridades.

 

Quem alguma vez estudou ciências sociais, muito provavelmente já ouviu falar da famosa experiência de Milgram, um dos mais controversos testes da história da Psicologia.

Desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Stanley Milgram, a experiência concluiu que a maioria das pessoas tende a obedecer às autoridades, mesmo que isso signifique ir contra o seu próprio bom senso.

O teste, realizado em 1961, na Universidade de Yale, consistia em pedir aos participantes que dessem choques cada vez mais fortes noutros participantes caso estes não acertassem na resposta de determinadas perguntas.

O Artigo pode ser consultado aqui

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 12:55

29
Dez 16

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Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça. (...) No fim, ela vence, pois desde o nascimento esse é o nosso destino e ela brinca um pouco com a sua presa antes de a comer. Mas continuamos a viver com grande interesse e inquietação durante o máximo tempo possível, do mesmo modo que sopramos uma bola de sabão até esta ficar bastante grande, embora tenhamos a certeza absoluta de que vai rebentar.

Arthur Schopenhauer
publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:52

17
Jul 16
Wook.pt - Como o Ciclo da Lua: 28 Contos Filosóficos e Dilemas Éticos

 "Como o Ciclo da Lua":

Porto Editora

Bertrand

Chiado Editora

  "Sem excluir os adultos, o público-alvo da presente obra são as crianças e os jovens, e visa explorar o espírito crítico peculiar a estas idades com o recurso a histórias divertidas, dilemas éticos e respetivos planos ou atividades de discussão.

  Numa linguagem informal, clara e imaginativa, o autor percorre neste livro uma considerável diversidade de temáticas filosóficas (o altruísmo, o amor, a felicidade, a relação do homem com a natureza, a emoção e a razão, o mito e a explicação racional dos fenómenos, o "estado de natureza", o determinismo, o ser e o dever-ser, o trabalho, a linguagem e o pensamento, a identidade, entre outros) sem, contudo, veicular uma filosofia específica nem instruções ou respostas concretas aos problemas nele levantados, porque, "a vida não é como os medicamentos que trazem uma literatura inclusa".

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:51

10
Jun 16

A psicanálise não reúne consenso sobre o seu estatuto, havendo mesmo quem questione a sua cientificidade. Tal é o caso de Popper.

     Deixando de lado a problemática da demarcação entre ciência e pseudociência, a psicanálise pode ser considerada uma corrente inovadora e revolucionária no modo de conceber o comportamento e a mente humana.

     Bruno Bettelheim foi considerado um dos mais notáveis psiquiatras na área das perturbações mentais infantis. Radicou-se nos Estados Unidos em 1939, depois de ter passado um ano nos campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

     Adotando uma metodologia na linha da psicanálise, Bettelheim revela-nos EmPsicanálise dos Contos de Fadas que, apesar de os contos de fadas terem sido criados muito antes do aparecimento da moderna sociedade de massas, podemos aprender muitas coisas com esses contos, nomeadamente acerca dos problemas interiores dos seres humanos.

     

     São suas, as seguintes palavras extraídas da referida obra:

    

     "O conto de Fadas O Príncipe Sapo – por exemplo – começa com a mais jovem das princesas a brincar com uma bola dourada perto de um poço. Esta cai no poço e a menina fica tristíssima. Aparece então um sapo que pergunta à princesa a que é devido o seu desgosto. Ele oferece-se para restituir a bola dourada à princesa desde que ela o aceite como companheiro, que se sentará ao pé dela, beberá do seu copo, comerá do seu prato e dormirá com ela na cama. Ela promete que sim, pensando no fundo dela própria que nenhum sapo poderia jamais ser companheiro de uma pessoa. O sapo traz-lhe então a bola dourada. Quando pede à princesa que o leve consigo para casa, ela foge e depressa esquece o sapo (...)."

     

      Como interpretar este conto à luz da psicanálise?

               

     A bola representa uma psique narcisística. Assim que a bola cai no poço, perdeu-se a ingenuidade.

     Apegada ao princípio do prazer, a menina faz promessas para obter o que quer. Porém, a realidade acaba por se impor.

     A caminhada em direção à intimidade com outrem é exposta: primeiro, a menina está só a brincar com a bola. O sapo mete conversa com ela. Depois vem visitá-la. Quanto mais o sapo se aproxima fisicamente mais enojada e angustiada ela fica, especialmente quando ele lhe toca.

     O despertar para a "vida íntima" não está livre de nojo e angústia.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 11:38

29
Mai 16

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Convite para acertar o seu relógio com a “Hora da Ética“!

Após a boa receção dos dois primeiros encontros deste novo Ciclo de Conversas sobre Arte, Ciência e Cultura, em que se iniciou uma abordagem às grandes teorias da Filosofia Moral,  com as palestras dos Professores José Meirinhos (Universidade do Porto) e João Cardoso Rosas (Universidade do Minho) e as discussões animadas sobre ética das virtudes, ética kantiana e consequencialismo moral, propõe-se agora, no mesmo registo aberto e informal, um aprofundamento destas ideias no âmbito de uma série de sessões de ética aplicada coordenadas pelo Professor Roberto Merrill (UM).

Deste modo as próximas sessões irão dirigir-se a questões concretas da atualidade para as quais serão convidados investigadores de diferentes universidades portuguesas e estrangeiras a apresentar as suas teorias e a debatê-las com o público. Os temas que serão debatidos nos próximos meses incluem: a ética do rendimento básico incondicional (com o prof. Karl Widerquist), a ética da guerra (com o General Loureiro dos Santos), a ética da denúncia ou whistleblowing (com o prof. Daniele Santoro), a ética bancária (com o prof. Geert Demuinjk), a ética das sementes (com o prof. Axel Gosseries), a ética animal (com a professora Cátia Faria) e a tecnoética (com o prof. João Ribeiro Mendes), entre outros temas.

A próxima sessão decorre no próximo dia 13 de Junho de 2016, pelas 15 horas. Será a hora de um café filosófico nos jardins da Casa de Mateus, com Satoshi Matsui da Universidade de Senshu, Japão, a quem se juntará Juliana Bidadanure da Universidade de Stanford (Centre for Ethics in Society), nos Estados Unidos. Uma dupla de excelência, composta por dois brilhantes investigadores, que irá discutir a relação do socialismo com o liberalismo, numa perspetiva ética.

A conversa será moderada por Roberto Merrill, desta vez em inglês, com apoio de tradução em português.

Por ocasião deste encontro será oferecida aos participantes uma prova do Porto Vintage de 2006 da Quinta da Costa das Aguaneiras.

O CCACC é uma iniciativa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que se realiza em colaboração com a Fundação da Casa de Mateus, o Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e o Instituto Internacional Casa de Mateus.

A entrada é livre, mas os lugares são limitados pelo que se sugere inscrição prévia através do email: arquivo2@casademateus.pt

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:59

17
Mai 16

     

       “Frankenstein”, enquanto criatura, nasce de um desafio a Deus, como um projeto amaldiçoado de um genial cientista que ultrapassa os limites impostos pela condição humana. O que acontece, porém, quando o Homem viola as leis de Deus ou da Natureza e da Ciência? O que sobrevém a “Prometeu” quando ousa desafiar os deuses e lhes subtrai o fogo divino para o confiar aos humanos? Haverá limites para o conhecimento e para o progresso científico e tecnológico?

       Assim como o cientista criador e “Frankenstein” – a criatura que nasceu do desafio a Deus e às leis da Natureza – poderão vir a confrontar-se, também a nossa cultura científico-tecnológica comporta riscos que não devem ser negligenciados. Ciência e técnica sim, mas com consciência, subordinadas à reflexão ética.

      No seu laboratório privado, o genial cientista tem as ferramentas de que necessita para concretizar o seu projeto: diversos membros e dorsos humanos roubados de uma morgue. Peça por peça, começa a sua experiência. Construído como um boneco e provido de vida por uma poderosa descarga elétrica, a sua magnífica criação torna-se assustadoramente real.

      Ainda mais assustado que o seu criador humano, o ser desaparece na noite, desamparado, repugnante e vulnerável. Pode dizer-se que a criatura foi lançada no mundo, num mundo que lhe é de todo estranho. O exterior é-lhe opaco e estranho. Sente-se, por isso, como um estrangeiro. Trata-se de mera ficção. Todavia, constitui uma experiência mental capaz de ilustrar um conceito filosófico central: O conceito de absurdo.

      Segundo muitos filósofos, o absurdo é a característica definidora da existência humana. Tal é o caso dos existencialistas franceses, Albert Camus e Jean Paul Sartre.Tal como em “Frankenstein”, no homem o ab-surdo nasce do confronto entre o seu apelo, o seu grito e o silêncio irracional do mundo. Este silêncio significa, segundo Camus, que a existência humana não tem sentido. O absurdo expressa a relação do eu com o mundo, sendo experienciado como um divórcio entre o homem e a sua vida. O ser humano deseja a unidade, o absoluto, a salvação, a tranquilidade espiritual e depara-se apenas com a pluralidade, a contingência, o fracasso, o sofrimento e a finitude.

      Camus integra-se na corrente ateísta do existencialismo. Como tal, nega a existência de Deus. Neste sentido, a existência humana carece de sentido, dada a inutilidade do sofrimento, o caráter hostil da natureza e a inevitabilidade da morte.

      Em suma: o Homem e o monstro, “Frankenstein”, possuem a mesma condição existencial. Sentem-se estrangeiros, exilados em corpos e em mundos que lhe são estranhos e sem sentido. Porém, confrontado com o absurdo da sua existência, tal não significa que o Homem deva optar pelo suicídio. Pelo contrário: deve preferir viver com lucidez o instante a fim de conquistar mais liberdade.

      Não possuindo nenhuma identidade a priori, diria Sartre, o Homem ex-siste primeiro, surge no mundo e define-se posteriormente. Numa frase: a existência precede a essência.

     Não havendo sinais no mundo, nem Deus nem nenhuma moral que possa indicar o que se deve fazer, o Homem é um agente criador de si mesmo, pelas decisões que toma e pelos atos que põe em prática, estando, por isso, condenado a ser livre.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:45

16
Mai 16

Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados doutra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua

Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram


Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece


O Tejo que reflecte o dia à solta
æ noite é prisioneiro dos olhares
Ao Cais dos Miradoiros
Vão chegando dos bares os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas para que o dia
Não traia
Dietriches que não foram nem Marlénes


Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
E as simples ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite se acostuma e transfigura


Na Lisboa que amanhece

Composição: Sérgio Godinho

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

01
Mai 16

Uma Montanha do Tamanho do Homem

 

Era uma vez uma aldeia, como tantas outras por este país fora.

Aos poucos, os seus habitantes foram partindo. Uns para o exterior, em busca de uma vida melhor; outros, "partiram" vá-se lá saber para onde. Uns e outros, não mais voltaram.

Mas a aldeia persistiu, teimosa, fantasma e bela, tragicamente bela.

"Uma Montanha do Tamanho do Homem" é um documentário que nos dá a conhecer Drave, uma aldeia desabitada em Portugal. O acesso só é possível a pé, não há traços de modernidade, e praticamente não há comunicações. Ainda assim, todos os anos, milhares de pessoas escolhem passar por este lugar ... 

Esta é uma viagem ao interior mais profundo. Do país, da memória, da consciência, da humanidade e de cada um."

Para quem quer conhecer as profundezas da alma lusa e um pouco da nossa identidade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:11

03
Abr 16

A maior satisfação não está em deixar morrer, mas sim em deixar viver.

Para os amantes de cinema, em especial de cinema não comercial, O Urso conta a história de Youk, um precoce ursinho que, ao ficar órfão, tem de aprender a sobreviver num mundo hostil. Kaar, um grande urso solitário, contra todas as expectativas ajuda Youk a suportar as agruras da floresta e a fazer face aos perigos que os rodeiam incluindo os seus piores e mais mortíferos inimigos: dois caçadores, Tom e Bill. Poucos filmes conseguiram captar tão bem a verdadeira essência da vida selvagem como o urso de Jean-Jacques Annaud que nos apresenta o ponto de vista dos animais.

A juntar ao palmarés do mesmo realizador, constam, entre outros, A Guerra do Fogo e O Nome da Rosa.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:08

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