Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

18
Fev 12

"O leitor é um cirurgião - e um pouco filósofo. É o chefe de uma equipa de primeira linha de especialistas em transplante de órgãos, com um registo imaculado de resultados de sucesso. na sua lista de espera encontram-se quatro jovens, todos desesperadamente doentes e a precisarem urgentemente de transplantes sem os quais morrerão em breve. Andrea precisa de um transplante de fígado, Barry de coração, Clarissa de pâncreas e Donald de pulmões. Não existem dadores disponíveis. O leitor está desesperado. Não entrou para a medicina por dinheiro; queria ajudar as pessoas e melhorar as suas vidas, e agora encontra-se diante de quatro jovens que estão a morrer. Eles não fizeram nada de errado; teriam vidas longas e felizes à sua frente, se não fosse a doença. Se ao menos houvesse órgãos disponíveis, ficavam todos bem - uma vez que o leitor já ultrapassou os problemas de compatibilidade de tecidos, rejeição e por aí fora.

Quando está prestes a dizer aos seus pacientes que não há esperança, apercebe-se da entrada do novo recepcionista - por sinal, um jovem, Eric. Sabe, pela sua ficha médica, que é saudável. os seus olhos adquirem um brilho. Pede a Eric que o acompanhe à sala de cirurgia, para lhe mostrar as instalações, claro, claro ... O seu raciocínio silencioso é:

 

Quero fazer o meu melhor pelo maior número possível de pessoas. Ao matar Eric, tenho a possibilidade de distribuir os seus órgãos pelos jovens Andrea, barry, Clarissa e Donald, salvando as suas vidas. É verdade, o mundo deixa de ter Eric; isso é mesmo uma triste perda. Mas ganhou as outras quatro vidas. Qautro pelo preço de uma é um óptimo negócio."

 

Este dilema/enigma extraído de Duas Vidas Valem Mais Que Uma? de Peter Cave, Academia do Livro, permite introduzir o tema da Fundamentação da Moral e as teorias deontológica e teleológica da obrigação moral, ao colocar a questão:

 "O que torna as acções moralmente boas? As intenções com que são praticadas ou as suas consequências?"

publicado por Ágora às 22:02

06
Set 11

 

 

E se o Homem descobrisse o "elixir da eterna juventude" e deixasse de ser um "ser para a morte", a vida deixaria de ser absurda? Afinal, não é a presença da morte que conduz a reflexão filosófica à questão do sentido da vida?

A imortalidade seria como um "Domingo infinito", um "perpétuo hoje", um "presente que permanece presente" uma "estrada sem fim". A imortalidade anularia, assim, a natureza temporal do Homem. Dado que a Existência Humana é sempre uma projecção de nós mesmos no futuro: é a cada momento estar essencialmente "a caminho" do que fomos e tentamos ser, para o que seremos, o futuro toma precedência sobre o passado e o presente. Deste modo, a existência humana e o seu sentido pressupõem a morte como "balizadora" do que seremos e do que poderíamos ter sido.

O Homem Imortal estaria condenado ao tédio, ao inferno e à permanente indefinição.

Que outra coisa poderíamos imaginar como mais absurda e sem sentido do que isto?

publicado por Ágora às 01:43

31
Ago 11

Espanha tem planos para a criação de um Cemitério-Laboratório Ibero-Americano de Criopreservação, onde corpos podem ser congelados na esperança de que, entretanto, a ciência descubra meio de ressuscitá-los.

O cemitério, que ainda não tem data para ser construído, terá capacidade para receber 500 corpos e o seu financiamento é garantido por interessados de alto poder aquisitivo que não só desejam viver eternamente, como ainda esperam beneficiar de descobertas científicas futuras para estar sempre jovens.

Os corpos são congelados sob uma temperatura de 196 graus abaixo de zero num caixão de alta tecnologia industrial. Os cadáveres serão conservados numa espécie de urna de aço com um gerador de nitrogénio líquido projectado pelo engenheiro da Associação Ibero-Americana de Criopreservação. Segundo avançou a BBC, esta medida poderá “manter o corpo em bom estado durante aproximadamente um século".

 

A Notícia AQUI

 

Embora com matizes diferentes, esta notícia traz à memória o monstro de "Frankenstein" e renova a questão do significado da vida. O monstro foi literalmente "lançado no mundo", num mundo e num corpo que não escolheu. Daí o sentimento de "absurdo", um sentimento quase metafísico que traduz o divórcio profundo do homem (o monstro, neste caso) em relação ao mundo. Sente-se o ser mais desnaturado para quem o exterior se revela opaco e estranho. Dado que o homem é o "ser cujo ser é uma questão para si", o  ab surdo nasce do confronto entre o apelo humano, a procura de sentido e o silêncio irracional do mundo.

publicado por Ágora às 22:43

27
Ago 11

 

Position

 

Determinism

Determinism compatible with free will

Actual agents sometimes act freely

Compatibilism

 

?

Y

?

Incompatibilism

 

?

N

?

 Libertarianism

 

N

N

Y

 Soft determinism

 

Y

Y

Y

 Hard determinism

 

Y

N

N

 Illusionism

 ?

 

N

N

 Agent causalism

 

?

?

?

 Metaphysics, The Key Concepts

publicado por Ágora às 00:45

09
Ago 11

 

(Em francês acaso diz-se hasard, do árabe az-zahr ou al-sâr, jogo de dados)

 

O mistério do nascimento é mais profundo e mais rico para meditar que o mistério da morte. É ele que nos confronta com o acaso ao passo que a morte nos entrega apenas ao destino. Quer eu ressuscite ou não, minha vida nesta terra nem por isso deixará de ter sido a mesma. Mas, e se eu não tivesse nascido? Ou se tivesse nascido de pais diferentes? Ou simplesmente, com os mesmos pais, se tivesse sido concebido a partir de um outro óvulo, de um outro espermatozóide? Seria outra pessoa, ou melhor, não seria. Toda morte é inevitável. Nenhum nascimento o é, mesmo que tenha sido desejado ou programado pelos pais. Morrer é um destino. Nascer, uma sorte.

COMTE-SPONVILLE, André, Op. Cit.

publicado por Ágora às 16:42

04
Ago 11

 

"Antes do homem, ou seja, antes do género humano, há a Terra. Antes da Terra, o universo. Antes do universo? Ninguém sabe. Não é possível saber. O big-bang não explica nada, pois seria preciso explicar o big-bang. Acontece que só se poderia explicá-lo por outra coisa que o precedesse, que por sua vez seria preciso explicar... E como, senão por outra coisa mais, que a precederia e seria preciso explicar? Cadeia das causas, inexplicável por natureza. Ou essa cadeia é finita, e nesse caso só pode começar por algo que não se explica (um começo absoluto, não precedido de nada, um facto sem causa). Ou é infinita e, portanto, globalmente inexplicável".

In COMTE-SPONVILLE, André, A Vida Humana, Martins Fontes

publicado por Ágora às 18:50

09
Fev 11

A Existência Humana é sempre uma projecção de nós mesmos no futuro: é a cada momento estar essencialmente "a caminho" do que fomos e tentamos ser, para o que seremos.

publicado por Ágora às 16:03

01
Jan 11

De acordo com um Relatório citado pelo Jornal de Notícias de 1/1/2011, "Os alunos portugueses são incapazes de estruturar um texto ou de explicar um raciocínio básico. "(sublinhado nosso)

Ainda de acordo com a referida notícia, "As conclusões são do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) e traçam um quadro preocupante quanto às capacidades dos estudantes entre os 8.º e 12.º anos para expressarem por escrito ideias ou conhecimentos adquiridos nas aulas.

A equipa do GAVE avaliou o conhecimento de alunos de 500 escolas secundárias e em 1200 do 3.º Ciclo, nas disciplinas de Matemática, Língua Portuguesa, Matemática A, Física, Química A, Biologia e Geologia."

Sabendo que a Lógica Filosófica é a disciplina que trata da "inferência correcta", é a "ciência que investiga os princípios gerais do pensamento válido", ou ainda, "é a análise dessa parte do raciocínio que depende da maneira como as inferências são formadas" e "determina quais as formas correctas de raciocínio", não seria pertinente reavaliar o seu papel nos ensinos Básico e Secundário? 

 

publicado por Ágora às 23:45

01
Dez 10

                 Se argumentarmos:

 

 “Se Deus não existisse (¬ P), tudo seria permitido (Q);

Ora, nem tudo é permitido (¬Q).

Logo, Deus existe (P).”

 

O referido argumento é válido (embora não soe bem) de acordo com os inspectores de circunstâncias:

¬ P → Q

       ¬ Q

 Logo, P

 

P

Q

¬ P

¬ P → Q

 

¬ Q

 

╞ P

1

1

0

1

0

1

1

0

0

1

1

1

0

1

1

1

0

0

0

0

1

0

1

0

 

Como na única circunstância em que as premissas são verdadeiras a conclusão também é, segue-se que o argumento é válido.

Daqui também se pode inferir que (¬ P → Q) ↔ (¬ Q → P), como se pode ver na tabela de verdade:

 

P

Q

¬ P

¬ Q

¬ P → Q

¬ Q → P

(¬ P → Q) ↔ ( ¬ Q → P)

1

1

0

0

1

1

1

1

0

0

1

1

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1

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0

0

1

1

0

0

1

 

Trata-se, portanto, de uma lei lógica, neste caso de equivalência na implicação.

 

publicado por Ágora às 16:17

05
Jul 09

"Pelo argumento do apelo à autoridade, afirma-se que uma determinada tese é correcta, porque o Sr. fulano tal, grande autoridade na matéria em discussão ou em outras matérias, o disse.

Este argumento deve obedecer a um conjunto de requisitos, caso contrário assistimos a um uso incorrecto do mesmo:

a autoridade deverá expressar uma opinião sobre uma área que seja da sua competência;

- a autoridade terá que ser interpretada correctamente. Não podemos "pôr na boca" da autoridade algo que seja apenas parecido com o que ela pensa;

- terá que se chegar a um consenso, caso existam opiniões divergentes entre várias autoridades."

In, Paulo Morgado*, Cem Argumentos, Vida Económica

*Administrador e Director Geral do Grupo Jerónimo Martins,

Sub-director do Banco Finantia,

...

publicado por Ágora às 12:48

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