Este pretende ser um "espaço" público de partilha de ideias, um espaço de comunicação...

17
Jul 16
Wook.pt - Como o Ciclo da Lua: 28 Contos Filosóficos e Dilemas Éticos

 "Como o Ciclo da Lua":

Porto Editora

Bertrand

Chiado Editora

  "Sem excluir os adultos, o público-alvo da presente obra são as crianças e os jovens, e visa explorar o espírito crítico peculiar a estas idades com o recurso a histórias divertidas, dilemas éticos e respetivos planos ou atividades de discussão.

  Numa linguagem informal, clara e imaginativa, o autor percorre neste livro uma considerável diversidade de temáticas filosóficas (o altruísmo, o amor, a felicidade, a relação do homem com a natureza, a emoção e a razão, o mito e a explicação racional dos fenómenos, o "estado de natureza", o determinismo, o ser e o dever-ser, o trabalho, a linguagem e o pensamento, a identidade, entre outros) sem, contudo, veicular uma filosofia específica nem instruções ou respostas concretas aos problemas nele levantados, porque, "a vida não é como os medicamentos que trazem uma literatura inclusa".

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 19:51

10
Jun 16

A psicanálise não reúne consenso sobre o seu estatuto, havendo mesmo quem questione a sua cientificidade. Tal é o caso de Popper.

     Deixando de lado a problemática da demarcação entre ciência e pseudociência, a psicanálise pode ser considerada uma corrente inovadora e revolucionária no modo de conceber o comportamento e a mente humana.

     Bruno Bettelheim foi considerado um dos mais notáveis psiquiatras na área das perturbações mentais infantis. Radicou-se nos Estados Unidos em 1939, depois de ter passado um ano nos campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

     Adotando uma metodologia na linha da psicanálise, Bettelheim revela-nos EmPsicanálise dos Contos de Fadas que, apesar de os contos de fadas terem sido criados muito antes do aparecimento da moderna sociedade de massas, podemos aprender muitas coisas com esses contos, nomeadamente acerca dos problemas interiores dos seres humanos.

     

     São suas, as seguintes palavras extraídas da referida obra:

    

     "O conto de Fadas O Príncipe Sapo – por exemplo – começa com a mais jovem das princesas a brincar com uma bola dourada perto de um poço. Esta cai no poço e a menina fica tristíssima. Aparece então um sapo que pergunta à princesa a que é devido o seu desgosto. Ele oferece-se para restituir a bola dourada à princesa desde que ela o aceite como companheiro, que se sentará ao pé dela, beberá do seu copo, comerá do seu prato e dormirá com ela na cama. Ela promete que sim, pensando no fundo dela própria que nenhum sapo poderia jamais ser companheiro de uma pessoa. O sapo traz-lhe então a bola dourada. Quando pede à princesa que o leve consigo para casa, ela foge e depressa esquece o sapo (...)."

     

      Como interpretar este conto à luz da psicanálise?

               

     A bola representa uma psique narcisística. Assim que a bola cai no poço, perdeu-se a ingenuidade.

     Apegada ao princípio do prazer, a menina faz promessas para obter o que quer. Porém, a realidade acaba por se impor.

     A caminhada em direção à intimidade com outrem é exposta: primeiro, a menina está só a brincar com a bola. O sapo mete conversa com ela. Depois vem visitá-la. Quanto mais o sapo se aproxima fisicamente mais enojada e angustiada ela fica, especialmente quando ele lhe toca.

     O despertar para a "vida íntima" não está livre de nojo e angústia.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 11:38

29
Mai 16

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Convite para acertar o seu relógio com a “Hora da Ética“!

Após a boa receção dos dois primeiros encontros deste novo Ciclo de Conversas sobre Arte, Ciência e Cultura, em que se iniciou uma abordagem às grandes teorias da Filosofia Moral,  com as palestras dos Professores José Meirinhos (Universidade do Porto) e João Cardoso Rosas (Universidade do Minho) e as discussões animadas sobre ética das virtudes, ética kantiana e consequencialismo moral, propõe-se agora, no mesmo registo aberto e informal, um aprofundamento destas ideias no âmbito de uma série de sessões de ética aplicada coordenadas pelo Professor Roberto Merrill (UM).

Deste modo as próximas sessões irão dirigir-se a questões concretas da atualidade para as quais serão convidados investigadores de diferentes universidades portuguesas e estrangeiras a apresentar as suas teorias e a debatê-las com o público. Os temas que serão debatidos nos próximos meses incluem: a ética do rendimento básico incondicional (com o prof. Karl Widerquist), a ética da guerra (com o General Loureiro dos Santos), a ética da denúncia ou whistleblowing (com o prof. Daniele Santoro), a ética bancária (com o prof. Geert Demuinjk), a ética das sementes (com o prof. Axel Gosseries), a ética animal (com a professora Cátia Faria) e a tecnoética (com o prof. João Ribeiro Mendes), entre outros temas.

A próxima sessão decorre no próximo dia 13 de Junho de 2016, pelas 15 horas. Será a hora de um café filosófico nos jardins da Casa de Mateus, com Satoshi Matsui da Universidade de Senshu, Japão, a quem se juntará Juliana Bidadanure da Universidade de Stanford (Centre for Ethics in Society), nos Estados Unidos. Uma dupla de excelência, composta por dois brilhantes investigadores, que irá discutir a relação do socialismo com o liberalismo, numa perspetiva ética.

A conversa será moderada por Roberto Merrill, desta vez em inglês, com apoio de tradução em português.

Por ocasião deste encontro será oferecida aos participantes uma prova do Porto Vintage de 2006 da Quinta da Costa das Aguaneiras.

O CCACC é uma iniciativa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que se realiza em colaboração com a Fundação da Casa de Mateus, o Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e o Instituto Internacional Casa de Mateus.

A entrada é livre, mas os lugares são limitados pelo que se sugere inscrição prévia através do email: arquivo2@casademateus.pt

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 13:59

17
Mai 16

     

       “Frankenstein”, enquanto criatura, nasce de um desafio a Deus, como um projeto amaldiçoado de um genial cientista que ultrapassa os limites impostos pela condição humana. O que acontece, porém, quando o Homem viola as leis de Deus ou da Natureza e da Ciência? O que sobrevém a “Prometeu” quando ousa desafiar os deuses e lhes subtrai o fogo divino para o confiar aos humanos? Haverá limites para o conhecimento e para o progresso científico e tecnológico?

       Assim como o cientista criador e “Frankenstein” – a criatura que nasceu do desafio a Deus e às leis da Natureza – poderão vir a confrontar-se, também a nossa cultura científico-tecnológica comporta riscos que não devem ser negligenciados. Ciência e técnica sim, mas com consciência, subordinadas à reflexão ética.

      No seu laboratório privado, o genial cientista tem as ferramentas de que necessita para concretizar o seu projeto: diversos membros e dorsos humanos roubados de uma morgue. Peça por peça, começa a sua experiência. Construído como um boneco e provido de vida por uma poderosa descarga elétrica, a sua magnífica criação torna-se assustadoramente real.

      Ainda mais assustado que o seu criador humano, o ser desaparece na noite, desamparado, repugnante e vulnerável. Pode dizer-se que a criatura foi lançada no mundo, num mundo que lhe é de todo estranho. O exterior é-lhe opaco e estranho. Sente-se, por isso, como um estrangeiro. Trata-se de mera ficção. Todavia, constitui uma experiência mental capaz de ilustrar um conceito filosófico central: O conceito de absurdo.

      Segundo muitos filósofos, o absurdo é a característica definidora da existência humana. Tal é o caso dos existencialistas franceses, Albert Camus e Jean Paul Sartre.Tal como em “Frankenstein”, no homem o ab-surdo nasce do confronto entre o seu apelo, o seu grito e o silêncio irracional do mundo. Este silêncio significa, segundo Camus, que a existência humana não tem sentido. O absurdo expressa a relação do eu com o mundo, sendo experienciado como um divórcio entre o homem e a sua vida. O ser humano deseja a unidade, o absoluto, a salvação, a tranquilidade espiritual e depara-se apenas com a pluralidade, a contingência, o fracasso, o sofrimento e a finitude.

      Camus integra-se na corrente ateísta do existencialismo. Como tal, nega a existência de Deus. Neste sentido, a existência humana carece de sentido, dada a inutilidade do sofrimento, o caráter hostil da natureza e a inevitabilidade da morte.

      Em suma: o Homem e o monstro, “Frankenstein”, possuem a mesma condição existencial. Sentem-se estrangeiros, exilados em corpos e em mundos que lhe são estranhos e sem sentido. Porém, confrontado com o absurdo da sua existência, tal não significa que o Homem deva optar pelo suicídio. Pelo contrário: deve preferir viver com lucidez o instante a fim de conquistar mais liberdade.

      Não possuindo nenhuma identidade a priori, diria Sartre, o Homem ex-siste primeiro, surge no mundo e define-se posteriormente. Numa frase: a existência precede a essência.

     Não havendo sinais no mundo, nem Deus nem nenhuma moral que possa indicar o que se deve fazer, o Homem é um agente criador de si mesmo, pelas decisões que toma e pelos atos que põe em prática, estando, por isso, condenado a ser livre.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 22:45

16
Mai 16

Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados doutra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua

Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram


Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece


O Tejo que reflecte o dia à solta
æ noite é prisioneiro dos olhares
Ao Cais dos Miradoiros
Vão chegando dos bares os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas para que o dia
Não traia
Dietriches que não foram nem Marlénes


Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
E as simples ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite se acostuma e transfigura


Na Lisboa que amanhece

Composição: Sérgio Godinho

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

01
Mai 16

Uma Montanha do Tamanho do Homem

 

Era uma vez uma aldeia, como tantas outras por este país fora.

Aos poucos, os seus habitantes foram partindo. Uns para o exterior, em busca de uma vida melhor; outros, "partiram" vá-se lá saber para onde. Uns e outros, não mais voltaram.

Mas a aldeia persistiu, teimosa, fantasma e bela, tragicamente bela.

"Uma Montanha do Tamanho do Homem" é um documentário que nos dá a conhecer Drave, uma aldeia desabitada em Portugal. O acesso só é possível a pé, não há traços de modernidade, e praticamente não há comunicações. Ainda assim, todos os anos, milhares de pessoas escolhem passar por este lugar ... 

Esta é uma viagem ao interior mais profundo. Do país, da memória, da consciência, da humanidade e de cada um."

Para quem quer conhecer as profundezas da alma lusa e um pouco da nossa identidade.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 18:11

03
Abr 16

A maior satisfação não está em deixar morrer, mas sim em deixar viver.

Para os amantes de cinema, em especial de cinema não comercial, O Urso conta a história de Youk, um precoce ursinho que, ao ficar órfão, tem de aprender a sobreviver num mundo hostil. Kaar, um grande urso solitário, contra todas as expectativas ajuda Youk a suportar as agruras da floresta e a fazer face aos perigos que os rodeiam incluindo os seus piores e mais mortíferos inimigos: dois caçadores, Tom e Bill. Poucos filmes conseguiram captar tão bem a verdadeira essência da vida selvagem como o urso de Jean-Jacques Annaud que nos apresenta o ponto de vista dos animais.

A juntar ao palmarés do mesmo realizador, constam, entre outros, A Guerra do Fogo e O Nome da Rosa.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 20:08

31
Mar 16

               

                Como se relaciona o desporto em geral e a corrida, em particular, com a Filosofia?

                Há muitos pontos de convergência, segundo Mark Rowlands. O ser humano corre por diversos motivos: uns fazem-no porque gostam; outros porque se sentem bem ou porque ficam com melhor aparência; ou porque lhes dá saúde e os faz sentir felizes ou mesmo vivos. Uns correm pela companhia, outros para aliviar o stresse do dia-a-dia.  

                Eis um dos paradoxos da vida: a inércia é a meta de tudo o que existe e se mexe. Porém, o ponto de partida é o movimento, a ação, a corrida. Quer do ponto de vista ontogenético, quer filogenético, no início é a ação. Embora a questão não deva ser colocada em termos exclusivamente dicotómicos: vida e morte. Isto porque “a morte é impaciente e insiste em fazer pequenas aparições antes que o pano desça definitivamente”. Morremos todos os dias um pouco.

                Alguns consideram até que nascemos para correr. Foi assim na alvorada da humanidade. Corríamos para caçar e poder comer animais, e não apenas plantas. E o aumento das proteínas na nossa alimentação pode ter tido uma influência no desenvolvimento do nosso cérebro. Não terá sido condição suficiente. Porém, foi seguramente uma condição necessária.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 15:23

21
Mar 16

          

  O determinismo, “na sua versão radical, é uma teoria que afirma que todos os estados ou acontecimentos do mundo são determinados por estados ou acontecimentos que lhes são anteriores, de acordo com as LEIS DA NATUREZA. Nesta versão, defende-se que, para qualquer acontecimento b, existe um acontecimento a anterior tal que é impossível que ocorra a sem que, consequentemente, ocorra b. Se esta versão mais radical for verdadeira, levanta-se o problema de saber se é compatível com o LIVRE-ARBÍTRIO, isto é, se a ACÇÃO humana pode ser concebida como genuinamente livre — os compatibilistas defendem que sim; os incompatibilistas, que não” (in: http://www.defnarede.com/d.html).

            Mark Nelissen, em “Darwin no Supermercado, Como a Evolução Influencia o Nosso dia-a-dia”, adota uma posição próxima do determinismo radical, ao sustentar, contra a opinião generalizada, que muitas das nossas decisões e ações não se baseiam no livre-arbítrio. Apoiando-se numa conceção naturalista do ser humano, Nelissen sustenta que a biologia evolutiva e a teoria evolucionista de Darwin explicam os diversos comportamentos humanos, desde dar uma gorjeta, escolher um lugar na carruagem do comboio ou sorrir antes do ato sexual.

            Quando, por exemplo, um homem numa esplanada dá uma gorjeta a uma espampanante loura de dezoito primaveras para pagar a cerveja acabada de beber, o seu comportamento obedece às leis de Darwin, segundo Nelissen. A generosidade do homem aumenta a probabilidade de conseguir transmitir os seus genes à geração futura. Agora, como há cem mil anos, altura em que as mulheres se guiavam pela reputação dos homens. Os do tipo generoso tinham fama de possuir recursos suficientes. Aqueles que costumavam repartir uma parte dos seus despojos de caça eram bons caçadores e possuíam meios suficientes. Os que distribuíam alimentos ou outros objetos demonstravam ter o suficiente. Os potenciais papás que entravam nesta categoria gozavam da predileção das mamãs sonhadoras, e podiam chegar a pais de verdade.

            Por isso, quando o gordalhufo da esplanada dá uma generosa gorjeta à espampanante jovem da minissaia, é movido por um mecanismo genético e inconsciente que durante tanto tempo contribuiu para o êxito reprodutivo dos nossos tetravôs.

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 23:44

23
Fev 16

       

         Não é fácil traçar a fronteira entre o humor, o bom humor, e a chacota e definir Liberdade de Expressão. Todos o sabemos. Todos, ou quase todos, estamos de acordo em que o humor é um sinal de inteligência e de maturidade intelectual. Já a chacota é a arma dos pobres de espírito, dos vingativos, invejosos, intriguistas e coscuvilheiros. A chacota é a arma dos que se riem dos outros, mas que não sabem olhar-se ao espelho e rir-se de si próprios.

         Todos sabemos, ou quase todos, que os fundamentalistas são desprovidos de sentido de humor, porque, como referia Umberto Eco, o humor é um instrumento crítico. Por isso, o fundamentalista mata. Mata o comediante que satiriza com a sua religião ou com outro assunto que considera um dogma. Hoje, o fundamentalista mata, porque é desprovido de sentido de humor. Hoje, como na Idade Média. Em "O Nome da Rosa", por exemplo, destrói-se um livro que fala sobre o riso e mata-se por ele, porque “só os tolos riem” e porque, "quem ri não tem medo de Deus", e "quem não tem medo de Deus, é aliado das forças demoníacas".

         Mas, que Deus é este, que não sabe rir? Que Deus tristonho e sisudo é este, meu Deus?!

publicado por Carlos João da Cunha Silva às 00:01

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